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Bezerra de Menezes
Allan Kardec
Amélie
Kardec
Emmanuel
Eurípedes Barsanulfo
Joanna de Ângelis
Léon
Denis
Anália
Franco
Cornélio
Pires
Batuíra
Caírbar
Schutel
Augusto Militão Pacheco
Meimei
Luiz
Sérgio de Carvalho
Hernâni Guimarães Andrade
Herculano
Pires
Francisco
Cândido Xavier
Lins
de Vasconcelos
Mesmer
O Fundador da
Homeopatia
Dr.
Adolfo Bezerra de Menezes

Nascido
na antiga Freguesia do Riacho do Sangue, hoje Solonópole, no Ceará, aos 29
dias do mês de agosto de 1831, e desencarnado no Rio de Janeiro, a 11 de abril
de 1900.
Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, no ano de
1838, entrou para a escola pública da Vila do Frade, onde em dez meses apenas,
preparou- se suficientemente até onde dava o saber do mestre que lhe dirigia a
primeira fase de educação. Bem cedo revelou sua fulgurante inteligência,
pois, aos onze anos de idade, iniciava o curso de Humanidades e, aos treze anos,
conhecia tão bem o latim que ministrava, a seus companheiros, aulas dessa matéria,
substituindo o professor da classe em seus impedimentos.
Seu pai, o capitão das antigas milícias e
tenente- coronel da Guarda Nacional, Antônio Bezerra de Menezes, homem severo,
de honestidade a toda prova e de ilibado caráter, tinha bens de fortuna em
fazendas de criação. Com a política, e por efeito do seu bom coração, que o
levou a dar abonos de favor a parentes e amigos, que o procuravam para explorar-
lhe os sentimentos de caridade, comprometeu aquela fortuna. Percebendo, porém,
que seus débitos igualavam seus haveres, procurou os credores e lhes propôs
entregar tudo o que possuía, o que era suficiente para integralizar a dívida.
Os credores, todos seus amigos, recusaram a proposta, dizendo- lhe que pagasse
como e quando quisesse.
O velho honrado insistiu; porém, não conseguiu
demover os credores sobre essa resolução, por isso deliberou tornar- se mero
administrador do que fora sua fortuna, não retirando dela senão o que fosse
estritamente necessário para a manutenção da sua família, que assim passou
da abastança às privações.
Animado do firme propósito de orientar- se pelo
caráter íntegro de seu pai, Bezerra de Menezes, com minguada quantia que seus
parentes lhe deram, e animado do propósito de sobrepujar todos os óbices,
partiu para o Rio de Janeiro a fim de seguir a carreira que sua vocação lhe
inspirava: a Medicina.
Em novembro de 1852, ingressou como praticante
interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Doutorou- se em 1856 pela
Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese "Diagnóstico do
Cancro". Nessa altura abandonou o último patronímico, passando a assinar
apenas Adolfo Bezerra de Menezes. A 27 de abril de 1857, candidatou-se ao quadro
de membros titulares da Academia Imperial de Medicina, com a memória
"Algumas Considerações sobre o Cancro encarado pelo lado do
Tratamento". O parecer foi lido pelo relator designado, Acadêmico José
Pereira Rego, a 11 de maio de 1857, tendo a eleição se efetuado a 18 de maio
do mesmo ano e a posse a 1.o. de junho. Em 1858 candidatou- se a uma vaga de
lente substituto da Secção de Cirurgia da Faculdade de Medicina. Por intercessão
do mestre Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, então Cirurgião- Mor do Exército,
Bezerra de Menezes foi nomeado seu assistente, no posto de Cirurgião- Tenente.
Eleito vereador municipal pelo Partido Liberal,
em 1861, teve sua eleição impugnada pelo chefe conservador, Haddock Lobo, sob
a alegação de ser médico militar. Objetivando servir o seu Partido, que
necessitava dele a fim de obter maioria na Câmara, resolveu Bezerra de Menezes
afastar- se do Exército. Em 1867 foi eleito Deputado Geral, tendo ainda
figurado em lista tríplice para uma cadeira no Senado.
Quando político, levantou- se contra ele, a
exemplo do que ocorre com todos os políticos honestos, uma torrente de injúrias
que cobriu o seu nome de impropérios. Entretanto, a prova da pureza da sua alma
deu- se quando, abandonando a vida pública, foi viver para os pobres,
repartindo com os necessitados o pouco que possuía.
Corria sempre ao tugúrio do pobre, onde
houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto de sua palavra de
bondade, o recurso da ciência de médico e o auxílio da sua bolsa minguada e
generosa.
Desviado interinamente da atividade política e
dedicando- se a empreendimentos empresariais, criou a Companhia de Estrada de
Ferro Macaé a Campos, na então província do Rio de Janeiro. Depois, empenhou-
se na construção da via férrea de S. Antônio de Pádua, etapa necessária ao
seu desejo, não concretizado, de levá-la até o Rio Doce. Era um dos diretores
da Companhia Arquitetônica que, em 1872, abriu o "Boulevard 28 de
Setembro", no então bairro de Vila Isabel, cujo topônimo prestava
homenagem à Princesa Isabel. Em 1875, era presidente da Companhia Carril de S.
Cristóvão.
Retornando à política, foi eleito vereador em
1876, exercendo o mandato até 1880. Foi ainda presidente da Câmara e Deputado
Geral pela Província do Rio de Janeiro, no ano de 1880.
O Dr. Carlos Travassos havia empreendido a
primeira tradução das obras de Allan Kardec e levara a bom termo a versão
portuguesa de "O Livro dos Espíritos". Logo que esse livro saiu do
prelo levou um exemplar ao deputado Bezerra de Menezes, entregando-o com dedicatória.
O episódio foi descrito do seguinte modo pelo futuro Médico dos Pobres: "Deu-mo
na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o
livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ora,
adeus! Não hei de ir para o inferno por ler isto... Depois, é ridículo
confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas
filosóficas. Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera
com a Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu Espírito.
Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!... Eu já tinha lido ou ouvido tudo o
que se achava no "O Livro dos Espíritos". Preocupei-me seriamente com
este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita
inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença".
No dia 16 de agosto de 1886, um auditório de
cerca de duas mil pessoas da melhor sociedade enchia a sala de honra da Guarda
Velha, na rua da Guarda Velha, atual Avenida 13 de Maio, no Rio de Janeiro, para
ouvir em silêncio, emocionado, atônito, a palavra sábia do eminente político,
do eminente médico, do eminente cidadão, do eminente católico, Dr. Bezerra de
Menezes, que proclamava a sua decidida conversão ao Espiritismo.
Bezerra era um religioso no mais elevado
sentido. Sua pena, por isso, desde o primeiro artigo assinado, em janeiro de
1887, foi posta a serviço do aspecto religioso do Espiritismo. Demonstrada a
sua capacidade literária no terreno filosófico e religioso, quer pelas réplicas,
quer pelos estudos doutrinários, a Comissão de Propaganda da União Espírita
do Brasil, incumbiu-o de escrever, aos domingos, no "O Paiz"
tradicional órgão da imprensa brasileira, a série de "Estudos Filosóficos",
sob o título "O Espiritismo". O Senador Quintino Bocaiúva, diretor
daquele jornal de grande penetração e circulação, "o mais lido do
Brasil", tornou-se mesmo simpatizante da Doutrina Espírita.
Os artigos de Max, pseudônimo de Bezerra de
Menezes, marcaram a época de ouro da propaganda espírita no Brasil. De
novembro de 1886 a dezembro de 1893, escreveu ininterruptamente, ardentemente.
Da bibliografia de Bezerra de Menezes, antes e
após a sua conversão do Espiritismo, constam os seguintes trabalhos: "A
Escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano
para a Nação", "Breves considerações sobre as secas do
Norte", "A Casa Assombrada", "A Loucura sob Novo
Prisma", "A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica",
"Casamento e Mortalha", "Pérola Negra", "Lázaro -- o
Leproso", "História de um Sonho", "Evangelho do
Futuro". Escreveu ainda várias biografias de homens célebres, como o
Visconde do Uruguai, o Visconde de Carvalas, etc. Foi um dos redatores de
"A Reforma", órgão liberal da Corte, e redator do jornal
"Sentinela da Liberdade".
Bezerra de Menezes tinha a função de médico
no mais elevado conceito, por isso, dizia ele: "Um médico não tem o
direito de terminar uma refeição, nem de perguntar se é longe ou perto,
quando um aflito qualquer lhe bate à porta. O que não acode por estar com
visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta hora da
noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro, o que, sobretudo pede
um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à
porta que procure outro -- esse não é médico, é negociante de medicina, que
trabalha para recolher capital e juros dos gastos de formatura. Esse é um
desgraçado, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma
visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do
seu Espírito, a única que jamais se perderá nos vaivens da vida."
-- o 0o
--
Em 1883, reinava um ambiente francamente
dispersivo no seio do Espiritismo brasileiro e os que dirigiam os núcleos espíritas
do Rio de Janeiro sentiam a necessidade de uma união mais bem estruturada e
que, por isso mesmo, se tornasse mais indestrutível.
Os Centros, onde se ministrava a Doutrina,
trabalhavam de forma autônoma. Cada um deles exercia a sua atividade em um
determinado setor, sem conhecimento das atividades dos demais. Esse sentimento
levou-os à fundação da Federação Espírita Brasileira.
Nessa época já existiam muitas sociedades espíritas,
porém, as únicas que mantinham a hegemonia de mando eram quatro: a "Acadêmica",
a "Fraternidade", a "União Espírita do Brasil" e a
"Federação Espírita Brasileira", entretanto, logo surgiram entre
elas, vivas discórdias.
Sob os auspícios de Bezerra de Menezes, e
acatando prescrições das importantes "Instruções" recebidas do
plano espiritual pelo médium Frederico Júnior, foi fundado o famoso
"Centro Espírita", o que, entretanto, não impediu que Bezerra desse
a sua colaboração a todas as outras instituições. O entusiasmo dos espíritas
logo se arrefeceu, e o velho seareiro se viu desamparado dos seus companheiros,
chegando a ser o único freqüentador do Centro. A cisão era profunda entre os
chamados "místicos" e "científicos", ou seja, espíritas
que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso, e os que o aceitavam
simplesmente pelo lado científico e filosófico.
Em 1893, a convulsão provocada no Brasil pela
Revolta da Armada, ocasionou o fechamento de todas as sociedades espíritas ou não.
No Natal do mesmo ano Bezerra encerrou a série de "Estudos Filosóficos"
que vinha publicando no "O Pais".
Em 1894, o ambiente mostrou tendências para
melhora e o nome de Bezerra de Menezes foi lembrado como o único capaz de
unificar o movimento espírita. O infatigável batalhador, com 63 anos de idade,
assumiu a presidência da Federação Espírita Brasileira, cargo que ocupou até
a sua desencarnação.
Iniciava-se o ano de 1900, e Bezerra de Menezes
foi acometido de violento ataque de congestão cerebral, que o prostrou no
leito, de onde não mais se levantaria.
Verdadeira romaria de visitantes acorria à sua
casa. Ora o rico, ora o pobre, ora o opulento, ora o que nada possuía.
Ninguém desconhecia a luta tremenda em que se
debatia a família do grande apóstolo do Espiritismo. Todos conheciam suas
dificuldades financeiras, mas ninguém teria a coragem de oferecer fosse o que
fosse, de forma direta. Por isso, os visitantes depositavam suas espórtulas,
delicadamente, debaixo do seu travesseiro. No dia seguinte, a pessoa que lhe foi
mudar as fronhas, surpreendeu-se por ver ali desde o tostão do pobre até a
nota de duzentos mil reis do abastado!...
-- o 0o
--
Ocorrida a sua desencarnação, verdadeira
peregrinação demandou sua residência a fim de prestar-lhe a última visita.
No dia 17 de abril, promovido por Leopoldo Cirne,
reuniram-se alguns amigos de Bezerra, a fim de chegarem a um acordo sobre a
melhor maneira de amparar a sua família, tendo então sido formada uma comissão
que funcionou sob a presidência de Quintino Bocaiúva, senador da República,
para se promover espetáculos e concertos, em benefício da família daquele que
mereceu o cognome de "Kardec Brasileiro".
-- o 0o
--
Digno de registro foi um caso sucedido com o Dr.
Bezerra de Menezes, quando ainda era estudante de Medicina. Ele estava em sérias
dificuldades financeiras, precisando da quantia de cinqüenta mil réis (antiga
moeda brasileira), para pagamento das taxas da Faculdade e para outros gastos
indispensáveis em sua habitação, pois o senhorio, sem qualquer contemplação,
ameaçava despejá-lo.
Desesperado -- uma das raras vezes em que
Bezerra se desesperou na vida -- e como não fosse incrédulo, ergueu os olhos
ao Alto e apelou a Deus.
Poucos dias após bateram-lhe à porta. Era um
moço simpático e de atitudes polidas que pretendia tratar algumas aulas de
Matemática.
Bezerra recusou, a princípio, alegando ser essa
matéria a que mais detestava, entretanto, o visitante insistiu e por fim,
lembrando-se de sua situação desesperadora, resolveu aceitar.
O moço pretextou então que poderia esbanjar a
mesada recebida do pai, pediu licença para efetuar o pagamento de todas as
aulas adiantadamente. Após alguma relutância, convencido, acedeu. O moço
entregou-lhe então a quantia de cinqüenta mil réis. Combinado o dia e a hora
para o início das aulas, o visitante despediu-se, deixando Bezerra muito feliz,
pois conseguiu assim pagar o aluguel e as taxas da Faculdade. Procurou livros na
biblioteca pública para se preparar na matéria, mas o rapaz nunca mais
apareceu.
No ano de 1894, em face das dissensões
reinantes no seio do Espiritismo brasileiro, alguns confrades, tendo à frente o
Dr. Bittencourt Sampaio, resolveram convidar Bezerra a fim de assumir a presidência
da Federação Espírita Brasileira.
Em vista da relutância dele em assumir aquele
espinhoso encargo, travou-se a seguinte conversação:
-- Querem que eu volte para a Federação. Como
vocês sabem aquela velha sociedade está sem presidente e desorientada. Em vez
de trabalhos metódicos sobre Espiritismo ou sobre o Evangelho, vive a discutir
teses bizantinas e a alimentar o espírito de hegemonia.
-- O trabalhador da vinha, disse Bittencourt
Sampaio, é sempre amparado. A Federação pode estar errada na sua propaganda
doutrinária, mas possui a Assistência aos Necessitados, que basta por si só
para atrair sobre ela as simpatias dos servos do Senhor.
-- De acordo. Mas a Assistência aos
Necessitados está adotando exclusivamente a Homeopatia no tratamento dos
enfermos, terapêutica que eu adoto em meu tratamento pessoal, no de minha família
e recomendo aos meus amigos, sem ser, entretanto, médico homeopata. Isto, aliás,
me tem criado sérias dificuldades, tornando- me um médico inútil e deslocado
que não crê na medicina oficial e aconselha a dos Espíritos, não tendo assim
o direito de exercer a profissão.
-- E por que não te tornas médico homeopata?
disse Bittencourt.
-- Não entendo patavinas de Homeopatia. Uso a
dos Espíritos e não a dos médicos.
Nessa altura, o médium Frederico Júnior,
incorporando o Espírito de S. Agostinho, deu um aparte:
-- Tanto melhor. Ajudar-te-emos com maior
facilidade no tratamento dos nossos irmãos.
-- Como, bondoso Espírito? Tu me sugeres viver
do Espiritismo?
-- Não, por certo! Viverás de tua profissão,
dando ao teu cliente o fruto do teu saber humano, para isso estudando Homeopatia
como te aconselhou nosso companheiro Bittencourt. Nós te ajudaremos de outro
modo: Trazendo-te, quando precisares, novos discípulos de Matemática...
Devido ao seu Espírito caridoso e prestativo,
Bezerra de Menezes mereceu o cognome de O Médico dos Pobres.
FEESP
- Federação Espírita do Estado de São Paulo, textos e fotos

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Allan
Kardec

Nascido em Lyon,
França, no dia 3 de outubro de 1804 e desencarnado em Paris, no dia 31 de março
de 1869.
Muito
se tem escrito sobre a personalidade de Allan Kardec, existindo mesmo várias e
extensas biografias sobre a sua obra missionária.
É
sobejamente conhecida a sua vida anteriormente ao dia 18 de abril de 1857,
quando publicou a magistral obra "O Livro dos Espíritos", que
deu início ao processo de codificação do Espiritismo.
Nesta súmula
biográfica, procuraremos esboçar alguns informes sobre a sua inconfundível
personalidade, alguns deles já do conhecimento geral.
O seu
verdadeiro nome era Hippolyte-Léon-Denizard Rivail. "Hippolite" em
família; "Professor Rivail" na sociedade e "H-L-D. Rivail"
na literatura era, desde os 18 anos mestre colegial de Ciências e Letras, e,
desde os 20 anos renomado autor de livros didáticos. Suas obras espíritas
foram escritas com o pseudônimo de Allan Kardec.
Destacou-se
na profissão para a qual fora aprimoradamente educado na Suíça, na escola do
maior pedagogo do primeiro quartel do século XIX, de fama mundial e até hoje
paradigma dos mestres: João Henrique Pestalozzi. E, em Paris, sucedeu ao próprio
mestre.
Allan
Kardec contava 51 anos quando se dedicou à observação e estudo dos fenômenos
espíritas, sem os entusiasmos naturais das criaturas ainda não amadurecidas e
sem experiência. A sua própria reputação de homem probo e culto constituiu o
obstáculo em que esbarraram certas afirmações levianas dos detratores do
Espiritismo. Dois anos depois, em 1857, divulgava "O Livro dos Espíritos".
Em 1858 iniciava a publicação da famosa "Revue Spirite". Em 1861
dava a lume "O Livro dos Médiuns". Em 1864 aparecia "O Evangelho
segundo o Espiritismo"; seguido de "O Céu e o Inferno" em 1865.
Finalmente, em 1868 "A Gênesis Os Milagres e as Predições",
completava o pentateuco do Espiritismo.
Na
ingente tarefa de codificação do Espiritismo, Allan Kardec contou com o
valioso concurso de três meninas que se tornaram as médiuns principais no
trabalho de compilação de "O Livro dos Espíritos": Caroline Baudin,
Julie Baudin e Ruth Celine Japhet. As duas primeiras foram utilizadas para a
concatenação da essência dos ensinos espíritas e a última para os
esclarecimentos complementares. Ultimada a obra e ratificados todos os
ensinamentos ali contidos, por sugestão dos Espíritos, Allan Kardec recorreu a
outros médiuns, estranhos ao primeiro grupo, dentre eles Japhet e Roustan, médiuns
intuitivos; a senhora Canu, sonâmbula inconsciente; Canu, médium de incorporação;
a Sra. Leclerc, médium psicógrafa; a Sra. Clement, médium psicógrafa e de
incorporação; a Sra. De Pleinemaison, auditiva e inspirada; Sra. Roger,
clarividente; e srta. Aline Carlotti, médium psicógrafa e de incorporação.
Escrevendo
sobre a personalidade do notável mestre, o emérito Dr. Silvino Canuto Abreu
afirmou o seguinte: "De cultura acima do normal nos homens ilustres de sua
idade e do seu tempo, impôs-se ao geral respeito desde moço. Temperamento
infenso à fantasia, sem instinto poético nem romanesco, todo inclinado ao método,
à ordem, à disciplina mental, praticava, na palavra escrita ou falada, a
precisão, a nitidez, a simplicidade, dentro dum vernáculo perfeito, escoimado
de redundâncias.
Pelo
seu profundo e inexcedível amor ao bem e à verdade, Allan Kardec edificou para
todo o sempre o maior monumento de sabedoria que a Humanidade poderia
ambicionar, desvendando os grandes mistérios da vida, do destino e da dor, pela
compreensão racional e positiva das múltiplas existências, tudo à luz
meridiana dos postulados do ninfo Cristianismo.
Filho
de pais católicos, Allan Kardec foi criado no Protestantismo, mas não abraçou
nenhuma dessas religiões, preferindo situar-se na posição de livre pensador e
homem de análise. Compungia-lhe a rigidez do dogma que o afastava das concepções
religiosas. O excessivo simbolismo das teologias e ortodoxias, tornava-o
incompatível com os princípios da fé cega.
Situado
nessa posição, em face de uma vida intelectual absorvente, foi o homem de
ponderação, de caráter ilibado e de saber profundo, despertado para o exame
das manifestações das chamadas mesas girantes. A esse tempo o mundo
estava voltado, em sua curiosidade, para os inúmeros fatos psíquicos que, por
toda a parte, se registravam e que, pouco depois, culminaram no advento da
altamente consoladora doutrina que recebeu o nome de Espiritismo, tendo como seu
codificados, o educador emérito e imortal de Lyon.
O
Espiritismo não era, entretanto, criação do homem e sim uma revelação
divina à Humanidade para a defesa dos postulados legados pelo Meigo Rabi da
Galiléia, numa quadra em que o materialismo avassalador conquistava as mais
pujantes inteligências e os cérebros proeminentes da Europa e das Américas.
A
primeira sociedade espírita regularmente constituída foi fundada por Allan
Kardec, em Paris, no dia 1o. de abril de 1858. Seu nome era "Sociedade
Parisiense de Estudos Espíritas". A ela o codificador emprestou o seu
valioso concurso, propugnando para que atingisse os nobres objetivos para os
quais foi criada.
Allan
Kardec é invulnerável à acusação de haver escrito sob a influência de idéias
preconcebidas ou de espírito de sistema. Homem de caráter frio e severo,
observava os fatos e dessas observações deduzia as leis que os regem.
A
codificação da Doutrina Espírita colocou Kardec na galeria dos grandes
missionários e benfeitores da Humanidade. A sua obra é um acontecimento tão
extraordinário como a Revolução Francesa. Esta estabeleceu os direitos do
homem dentro da sociedade, aquela instituiu os liames do homem com o universo,
deu-lhe as chaves dos mistérios que assoberbavam os homens, dentre eles o
problema da chamada morte, os quais até então não haviam sido equacionados
pelas religiões. A missão do ilustre mestre, como havia sido prognosticada
pelo Espírito de Verdade, era de rochedos e perigos, pois ela não seria apenas
de codificar, mas principalmente de abalar e transformar a Humanidade. A missão
foi-lhe tão árdua que, em nota de 1º. de janeiro de 1867, Kardec referia-se
as ingratidões de amigos, a ódios de inimigos, a injúrias e a calúnias de
elementos fanatizados. Entretanto, ele jamais esmoreceu diante da tarefa.
O
PENSAMENTO DE KARDEC
"Fora
da Caridade não há salvação. Isto é, a igualdade entre os homens perante
Deus, a tolerância, a liberdade de consciência e benevolência mútua".
"O
Espiritismo se dirige aos que não crêem ou que duvidam, e não aos que têm fé
e a quem essa fé é suficiente; ele não diz a ninguém que renuncie às suas
crenças para adotar as nossas, e nisto é conseqüente com os princípios de
tolerância e de liberdade de consciência que professa. Por esse motivo não
poderíamos aprovar as tentativas feitas por certas pessoas para converter às
nossas idéias o clero, de qualquer comunhão que seja. Repetiremos,pois, a
todos os espíritas: acolhei com solicitude os homens de boa-vontade; oferecei a
luz aos que a procuram, porque com os que crêem não sereis bem sucedidos; não
façais violência à fé de ninguém, muito menos quanto ao clero que aos
seculares, porque semeareis em campos áridos; ponde a luz em evidência, para
que a vejam os que quiserem ver; mostrai os frutos da árvore e deles dai de
comer aos que têm fome e não aos que se dizem saciados.
"Reconhecei,
pois, o verdadeiro espírita na prática da caridade por pensamentos, palavras e
obras, e persuadi-vos de quem quer que nutra em sua alma sentimentos de
animosidade, de rancor, de ódio, de inveja ou de ciúme, mente a si próprio se
tem a pretensão de compreender e praticar o Espiritismo ."
A
caridade é a lei do Cristo: amem-se uns aos outros como irmãos;- ame seu próximo
como a si mesmo; perdoe seu inimigo; -não faça a outrem o que não quer que
lhe façam; tudo se resume na palavra CARIDADE ."
Fé
inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as
épocas da humanidade.
Nascer,
Morrer, Renascer ainda e Progredir sem cessar, tal é a Lei.
Todo
efeito tem uma causa; todo efeito inteligente tem uma causa inteligente; a potência
de uma causa está na razão da grandeza do efeito.
Sejam
quais forem os prodígios realizados pela inteligência humana, esta inteligência
tem também uma causa primária. É a inteligência superior a causa primária
de todas as coisas, qualquer que seja o nome pelo qual o homem a designe.
Reconhece-se
a qualidade dos Espíritos pela sua linguagem; a dos Espíritos verdadeiramente
bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica, isenta de contradições;
respira a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a moral mais pura; é
concisa e sem palavras inúteis. Nos Espíritos inferiores, ignorantes, ou
orgulhosos, o vazio das idéias é quase sempre compensado pela abundância de
palavras. Todo pensamento evidentemente falso, toda máxima contrária à sã
moral, todo conselho ridículo, toda expressão grosseira, trivial ou
simplesmente frívola, enfim, toda marca de malevolência, de presunção ou de
arrogância, são sinais incontestáveis de inferioridade num Espírito.
Reconhece-se
o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz
para domar as suas más inclinações.
Caminhando
de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se
novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer,
ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ela a aceitará.
Melhorados
os homens, não fornecerão ao mundo invisível senão bons espíritos; estes,
encarnando-se, por sua vez só fornecerão à Humanidade corporal, elementos
aperfeiçoados. A Terra deixará, então, de ser um mundo expiatório e os
homens não sofrerão mais as misérias decorrentes das suas imperfeições.
Onde
quer que as minhas obras penetraram e servem de guia, o Espiritismo é visto sob
o seu verdadeiro aspecto, isto é, sob um caráter exclusivamente moral.
Pelo
espiritismo a humanidade deve entrar em uma nova fase, a do progresso moral, que
é a sua conseqüência inevitável.
FEESP
- Federação Espírita do Estado de São Paulo

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Emmanuel
Texto
elaborado por Cruz Antunes
Retirado
da Revista do
II Congresso Português de Espiritismo
Emmanuel
é o nome do espírito que vem tutelando a atividade mediúnica de Franscisco Cândido
Xavier, o maior médium psicógrafo de sempre, hoje com mais de 350 obras
psicografadas.
Ao
tempo da passagem de Jesus pela Terra, chamou-se Públio Lentulus - senador
romano -, e, ao que se sabe, foi a única autoridade que efetuo perfeita descrição
Dele, através da célebre carta, publicada em numerosas línguas, autêntica
obra-prima do gênero. Pessoalmente, encontrou-O, solicitando-Lhe auxílio para
a cura de sua filha Flávia, que, supomos, estaria leprosa desencarnou em
Pompeia, no ano 79, vítima das lavas do Vesúvio, encontrando-se na altura
invisual anos depois, reencarnaria como judeu na Grécia, em Éfeso, já não
mais sob a toga de orgulhoso senador romano, mas sim na figura de modesto
escravo Nestório, que, na idade madura, participava das reuniões secretas dos
cristãos nas catacumbas de Roma.
Podemos
ficar com melhor conhecimento da história desse espírito através das suas
obras: Há Dois Mil Anos e Cinqüenta Anos Depois, transmitidas mediunicamente
através de Chico Xavier. Estas obras constituem verdadeiras obras primas de
literatura mediúnica e histórica.
O Dr.
Elias Barbosa diz-nos que Emmanuel, o mentor espiritual que todos respeitamos,
foi a personalidade de Manoel da Nóbrega, renascido em 18 de Outubro de 1517,
em Sanfins, Entre Douro e Minho, Portugal, quando reinava D. Manuel I, o
Venturoso . Inteligência privilegiada, ingressou na Universidade de Salamanca,
Espanha, aos 17 anos, e, com 21, inscreve-se na Faculdade de Cânones da
Universidade de Coimbra, frequentando aulas de Direito Canónico e Filosofia a
14 de Junho de 1541, em plena mocidade, recebe a láurea doutoral, sendo, então,
considerado doutíssiomo Padre Manoel da Nóbrega , pelo doutor Martim
Azpilcueta Navarro.
Mais
tarde, a 25 de Janeiro de 1554, seria um dos principais fundadores da grande
metrópole São Paulo. Foi também o fundados da cidade de Salvador, Bahia, a
primeira capital do Brasil.
A
informação de que Emmanuel teria sido o Padre Manoel da Nóbrega, foi dada
pelo próprio Emmanuel em várias comunicações através da mediunidade idônea
e segura de Francisco Cândido Xavier.
No início
da atividade mediúnica de Chico, nos anos trinta, ainda sem se identificar,
disse-lhe que gostaria de trabalhar com ele durante longos anos, mas que
necessitaria de três condições básicas para o fazer: 1ª disciplina, 2ª
disciplina e 3ª disciplina. O que Chico cumpriu até hoje. Foi um modesto
funcionário público do Ministério da Agricultura que jamais misturou a sua
atividade profissional com o exercício da mediunidade. Não poderemos
deixar de registrar, sob pena de cometermos grave omissão, que, durante as décadas
que esteve ao serviço do Estado, nunca - não obstante a sua precária saúde e
o trabalho doutrinário, fora das horas de serviço - deu uma única falta ou
gozou qualquer tipo de licença, conforme documentos facultados pelo M.A. Também
no início da sua nobre missão, Emmanuel disse-lhe que se alguma vez ele o
aconselhar a algo que não esteja de acordo com as palavras de Jesus e Kardec,
deverá procurar esquecê-lo, permanecendo fiel a Jesus e Kardec.
Emmanuel
fez também parte da falange do Espírito da Verdade que trouxe à Terra o
Cristianismo restaurado, definição sua da Doutrina Espírita. No Evangelho
Segundo o Espiritismo, Allan Kardec inseriu uma mensagem de Emmanuel, recebida
em Paris, 1861, intitulada O Egoísmo (Cap. XI - 11).
Para além
dos dois livros históricos citados, temos ainda várias dezenas de outros, dos
quais destacamos: Paulo e Estevão, obra que, segundo Herculano Pires,
justificaria, por si só, a missão mediúnica de Francisco Cândido Xavier.
Ave, Cristo e Renúncia, livros estes que, juntamente com os citados
anteriormente, ajudam-nos a entender o nascimento do Cristianismo e, depois, à
sua gradual adulteração. Este cinco livros são baseados em fatos históricos
verdadeiros. Foi considerado o 5º evangelista, pela superior interpretação do
pensamento de Jesus analisemos os seus livros: Caminho, Verdade e Vida , Pão
Nosso , Vinha de Luz e Fonte Viva .
Visto
ser completamente impossível, num trabalho deste gênero, falar de toda a sua
obra transmitida através de Chico Xavier, gostaríamos, no entanto, de
registrar os livros: A Caminho da Luz, que nos relata uma História da Civilização
à Luz do Espiritismo e Emmanuel livro
constituído por diversas dissertações importantes sobre Ciência, Religião e
Filosofia, que preocupam a Humanidade.
Entrevistas
, Salvador Gentil e Elias Barbosa, IDE.
No
Mundo de Chico Xavier, Elias Barbosa, IDE.

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Nascido
em 1º de maio de 1880, na pequena cidade de Sacramento, Estado de Minas Gerais,
e desencarnado na mesmo cidade, aos 38 anos de idade, em 1o. de novembro de 1918
Logo
cedo manifestou-se nele profunda inteligência e senso de responsabilidade,
acervo conquistado naturalmente nas experiências de vidas anteriores.
Era
ainda bem moço, porém muito estudioso e com tendências para o ensino, por
isso foi incumbido pelo seu professor de ensinar aos próprios companheiros de
aula. Respeitável representante político de sua comunidade, tornou-se secretário
da Irmandade de São Vicente de Paula, tendo participado ativamente da fundação
do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano".
Logo viu-se guindado à posição natural de líder, por sua segura orientação
quanto aos verdadeiros valores da vida.
Através
de informações prestadas por um dos seus tios, tomou conhecimento da existência
dos fenômenos espíritas e das obras da Codificação Kardequiana. Diante dos
fatos voltou totalmente suas atividades para a nova Doutrina, pesquisando por
todos os meios e maneiras, até desfazer totalmente suas dúvidas.
Despertado
e convicto, converteu-se rapidamente e sem esmorecimentos, identificando-se
plenamente com os novos ideais, numa atitude sincera e própria de sua
personalidade, procurou o vigário da Igreja matriz onde prestava sua colaboração,
colocando à disposição do mesmo o cargo de secretário da Irmandade.
Repercutiu
estrondosamente tal acontecimento entre os habitantes da cidade e entre membros
de sua própria família. Em poucos dias começou a sofrer as conseqüências de
sua atitude incompreendida.
Persistiu
lecionando e entre as matérias incluiu o ensino do Espiritismo, provocando reação
em muitas pessoas da cidade, sendo procurado pelos pais dos alunos, que chegaram
a oferecer-lhe dinheiro para que voltasse atrás quanto à nova matéria e, ante
sua recusa, os alunos foram retirados um a um.
Sob
pressões de toda ordem e impiedosas perseguições, Eurípedes sofreu forte
traumatismo, retirando-se para tratamento e recuperação em uma cidade vizinha,
época em que nele desabrocharam várias faculdades mediúnicas, em especial a
de cura, despertando-o para a vida missionária. Um dos primeiros casos de cura
ocorreu justamente com sua própria mãe que, restabelecida, se tornou valiosa
assessora em seus trabalhos.
A produção
de vários fenômenos fez com que fossem atraídas para Sacramento centenas de
pessoas de outras paragens, abrigando-se nos hotéis e pensões, e até mesmo em
casas de famí1ias, pois a todos Barsanulfo atendia e ninguém saía sem algum
proveito, no mínimo o lenitivo da fé e a esperança renovada e, quando
merecido, o benefício da cura, através de bondosos Benfeitores Espirituais.
Auxiliava
a todos, sem distinção de classe, credo ou cor e, onde se fizesse necessária
a sua presença, lá estava ele, houvesse ou não condições materiais.
Jamais
esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho cheio de percalços, porém
animado do mais vivo idealismo. Logo sentiu a necessidade de divulgar o
Espiritismo, aumentando o número dos seus seguidores. Para isso fundou o
"Grupo Espírita Esperança e Caridade", no ano de 1905, tarefa na
qual foi apoiado pelos seus irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver
trabalhos interessantes, tanto no campo doutrinário, como nas atividades de
assistência social.
Certa
ocasião caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a
si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a I Guerra
Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi
assinado o célebre tratado.
Em 1º
de abril de 1907, fundou o Colégio Allan Kardec, que se tornou verdadeiro marco
no campo do ensino. Esse instituto de ensino passou a ser conhecido em todo o
Brasil, tendo funcionado ininterruptamente desde a sua inauguração, com a média
de 100 a 200 alunos, até o dia 18 de outubro, quando foi obrigado a cerrar suas
portas por algum tempo, devido à grande epidemia de gripe espanhola que assolou
nosso país.
Seu
trabalho ficou tão conhecido que, ao abrirem-se as inscrições para matrículas,
as mesmas se encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando um colégio
da mesma região, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas
atividades por falta de freqüentadores.
Liderado
a pulso forte, com diretriz segura, robustecia-se o movimento espírita na região
e esse fato incomodava sobremaneira o clero católico, passando este,
inicialmente de forma velada e logo após, declaradamente, a desenvolver uma
campanha difamatória envolvendo o digno missionário e a doutrina de libertação,
que foi galhardamente defendida por Eurípedes, através das colunas do jornal
"Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus não
é Jesus e Jesus não é Deus", com argumentação abalizada e incontestável,
determinando fragorosa derrota dos seus opositores que, diante de um gigante que
não conhecia esmorecimento na luta, mandaram vir de Campinas, Estado de S.
Paulo, o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações e conhecimentos,
convencidos de que com suas argumentações e convicções infringiriam o golpe
derradeiro no Espiritismo.
Foi
assim que o referido padre desafiou Eurípedes para uma polêmica em praça pública,
aceita e combinada em termos que foi respeitada pelo conhecido apóstolo do bem.
No dia
marcado o padre iniciou suas observações, insultando o Espiritismo e os espíritas,
"doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas
eternas", numa demonstração de falso zelo religioso, dando assim
testemunho público do ódio, mostrando sua alma repleta de intolerância e de
sectarismo.
A
multidão que se mantinha respeitosa e confiante na réplica do defensor do
Espiritismo, antevia a derrota dos ofensores, pela própria fragilidade dos seus
argumentos vazios e inconsistentes.
O
missionário , aguardou serenamente sua oportunidade, iniciando sua parte com
uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranqüilidade para uns e
luz para outros, tornando o ambiente propício para inspiração e assistência
do plano maior e em seguida iniciou a defesa dos princípios nos quais se alicerçavam
seus ensinamentos.
Com
delicadeza, com lógica, dando vazão à sua inteligência, descortinou os
desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo-o à
insignificância dos seus poucos conhecimentos, apoiado pela manifestação
alegre e ruidosa da multidão que desde o princípio confiou naquele que
facilmente demonstrava a lógica dos ensinos apregoados pelo Espiritismo.
Ao
terminar a famosa polêmica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eurípedes
aproximou-se dele e abraçou-o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus
pensamentos e suas atitudes.
Seguiu
com dedicação as máximas de Jesus Cristo até o último instante de sua vida
terrena, por ocasião da pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918,
ceifando vidas, espalhando lágrimas e aflição, redobrando o trabalho do
grande missionário, que a previra muito antes de invadir o continente
americano, sempre falando na gravidade da situação que ela acarretaria.
Manifestada
em nosso continente, veio encontrá-lo à cabeceira de seus enfermos, auxiliando
centenas de famílias pobres. Havia chegado ao término de sua missão terrena.
Esgotado pelo esforço despendido, desencarnou no dia 1º de novembro de 1918,
às 18 horas, rodeado de parentes, amigos e discípulos.
Sacramento
em peso, em verdadeira romaria, acompanhou-lhe o corpo material até a
sepultura, sentindo que ele ressurgia para uma vida mais elevada e mais sublime.
Fonte: GEAF - Grupo de Estudos
Avançados Espíritas

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O Espírito
Joanna de Ângelis, através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, tem
escrito livros ricos de ensinamentos, verdadeiros tratados de saúde mental, com
uma terapia baseada no Evangelho de Jesus e na Codificação Kardequiana. Vale a
pena lembrar que as mensagens contidas em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo
IX, item 7: A Paciência Havre-1862
e Capítulo XVIII, itens 13 a 15: Dar-se-á àquele que tem. , Bordeuax (bordeus)-1862,
recebidas de Um Espírito Amigo, são de sua autoria.
Joanna
de Ângelis, em outras reencarnações, foi:
Joana
de Cuza, uma das piedosas mulheres do Evangelho. Era esposa de Cuza, procurador
de Herodes, o Tetrarca, (governador de uma tetrarquia, cada uma das partes de um
estado ou província dividida em quatro governos). Joana foi curada por Jesus
(Lucas VIII 2 e 3), com Maria Madalena, Suzana e muitas outras mulheres, as
quais lhe prestava assistência com os seus bens. Em Lucas 24: 10 é mencionada
entre as mulheres que, na manhã de Páscoa, tendo ido ao sepulcro de Jesus, o
encontraram vazio.
Em
Roma, no ano de 68, 27 de Agosto, por não renunciar à fé em Jesus, é
sacrificada numa fogueira, no Coliseu. Desencarnou perdoando seus carrascos.
Joanna,
certamente, viveu no tempo de Francisco de Assis (1182- 1226), talvez numa das
ordens fundadas por Clara de Assis (1193- 1252), fundadora da Ordem das
Clarissas.
O
Martirologico Romana comemora-a em 14 de Maio.
No México,
foi Juana de Asbajey Ramires de Santillana. Nasceu em 1651 em San Miguel
Neplanta, filha de D. Manuel Asbaje, espanhol, e de Isabel Ramirez de Santillana,
indigena.
Foi uma
criança precoce. Começou a fazer versos aos cinco anos. Aos doze aprendeu
latim em vinte aulas e português sozinha, falava a língua indígena nauatle,
dos nauas, geralmente chamados de astecas. Na Corte, o vice-rei de Espanha, o
Marquês de Mancera, querendo criar uma corte brilhante, na tradição européia,
convidou a menina-prodígio de treze anos para dama de companhia de sua mulher.
Encantou
a todos com sua beleza, inteligência e graciosidades, seus poemas de amor são
citados até hoje e suas peças representadas em programas de rádio e televisão.
Mas sua
sede de saber era maior que a ilusão de prosseguir brilhando na Corte. Aos
dezesseis anos ingressa no Convento das Carmelitas Descalças e depois foi para
a Ordem de São Geronimo da Conceição, tomando o nome de Soror Juana Inês de
la Cruz, ficando conhecida pelos seus hábitos de estudo como Monja da
Biblioteca.
Em 1690
dizia da necessidade do conhecimento geral para melhor entender e servir a Deus,
defendendo o direito da mulher de se dedicar às atividade intelectuais.
Tal
documento é considerado a Carta Magna da liberdade intelectual da mulher
americana.
Mulher
de letras e de ciências, ela foi a porta-voz das escravatizadas do seu tempo.
É
citada num artigo da Revista Selecções do Reader´s Digest, de Julho de 1972.
Soror Juana Inês de la Cruz: A primeira feminista do Novo Mundo.
Dizia
que é pela compreensão que o homem é superior aos animais.
Trabalhando
na cozinha do Convento, descobre muitos segredos naturais, e conclui que se
Aristóteles tivesse cozinhado, teria escrito muito mais.
Como se
vê, trata-se de um vulto muito importante para o México e para a Humanidade,
tanto assim que a cédula de 1000 pesos tem a sua efigie.
Em 1695
houve uma epidemia de peste na região. Juana, socorrendo os doentes, desencarna
de peste aos 44 anos.
Na
Bahia, foi Soror Joana Angélica, religiosa da Ordem das Reformadas de Nossa
Senhora da Conceição e Heroína da Independência do Brasil.
Joana
Angelica de Jesus nasceu em Salvador, na Bahia, a 11 de Dezembro de 1761.
Entrou
para o noviciado no Convento de Nossa Senhora da Lapa em 1782, pronunciando os
votos um ano depois.
Entre
1798 e 1801 exerceu diversos cargos burocráticos na comunidade, assumindo as
funções de vigária. Conduzida ao posto de conselheira em 1809, retornou ao
vicariato em 1811. Eleita abadessa, em 1814, esteve à frente do convento até
1817, sendo reeleita três anos depois.
Em 7 de
Setembro de 1822, no Ipiranga, S. Paulo, D. Pedro I proclamou a independência
do Brasil, separando-o de Portugal. Porém, na Bahia, as tropas portuguesas
comandadas pelo Brigadeiro Inácio Luis Madeira de Mala (1775-1833), resistiram
tenazmente às forças mandadas por D. Pedro I. Somente em 2 de Julho de 1823
Madeira de Malo abandonou a Bahia, embarcando para Portugal com suas tropas.
As
tropas brasileiras eram comandadas pelo militar francês Pierre Labatut
(1768-1849), e o tenente Luís Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias.
Vale lembrar que Maria Quiteria de Jesus Medeiros, a primeira mulher-soldado,
sagra-se heroína, sendo condecorada por D. Pedro I.
Durante
as lutas pela independência, em 19 de Fevereiro de 1823, os soldados
portugueses invadiram o convento de Nossa Senhora da Lapa.
Soror
Joana Angelica sai à porta do Convento, intimando-os com a cruz alçada, a não
profanarem o abrigo de suas protegidas. Resistiu valentemente, sendo atacada a
golpes de baioneta.
Com o
seu martírio deu tempo às internas de escaparem, refugiando-se no Convento da
Soledade.
Soror
Joana Angélica recebeu socorros, vivendo, porém, poucas horas, desencarnando
no dia seguinte, 20 de Fevereiro.
Tombando
numa luta pelos ideais de liberdade, Soror Joana Angélica tornou-se mártir da
Independência do Brasil.
Como
Joanna de Ângelis prossegue no mundo espiritual como verdadeira Amiga e
Benfeitora, como um Espírito Amigo, das mensagens do Evangelho Segundo o
Espiritismo, orientando as criaturas através dos séculos, em diversas existências
para Jesus e para o Bem.
Bibliografia:
1) A Veneranda Joanna de Ângelis - Divaldo Pereira Franco (mediúnico)
2) Selecçoes do Reader´s Digest, Julho de 1972
3) Deustshland - Dezembro de 1993 n. 3

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LÉON DENIS - Um sucessor e propagador da Doutrina
codificada por Kardec
Nascimento.: Foug,
França - 1846
Falecimento: Tours, França - 1927
Léon Denis (lê-se
Dení) nasceu num lugarejo chamado Foug, situado nos arredores de Toul, na França,
em 01/01/1846. Sua casa era humilde, assim como os pais Josephine (que era
materialista) e Ana Lúcia Denis (que era espírita).
Cedo conheceu, por
necessidade, os trabalhos manuais e os pesados encargos da família.
Desde os seus
primeiros passos neste mundo, sentiu que os amigos invisíveis o auxiliavam. Ao
invés de participar de brincadeiras próprias da juventude, procurava
instruir-se o mais possível. Lia obras sérias, conseguindo, assim com esforço
próprio desenvolver sua inteligência. Era um autodidata sério e competente.
Jamais desperdiçou
um minuto sequer de seu tempo, com distrações frívolas, às quais a maior
parte dos homens recorre para matar as horas.
Com 12 anos
concluiu o curso primário, e a situação modesta de sua família não lhe
permitiu grandes estudos. Desde cedo tinha problemas com sua saúde física -
seus olhos principalmente.
Tinha 16 anos
quando se salientou como um dos melhores oradores e dos mais ardentes
propagandistas.
Com 18 anos
tornou-se representante comercial, o que o obrigava a viajar constantemente, e
isto até quase envelhecer.
Denis adorava a música
e sempre que podia assistia a uma ópera ou concerto. Gostava de dedilhar, ao
piano, rias conhecidas, de tirar acordes para seu próprio devaneio.
Não fumava, era
quase exclusivamente vegetariano e não fazia uso de bebidas fermentadas.
Encontrava na gua a bebida ideal.
Era seu hábito
olhar, com interesse, para os livros expostos nas livrarias. Um dia, ainda com
18 anos, o chamado acaso fez com que sua atenção fosse despertada para uma
obra de título inusitado. Esse livro era o Livro dos Espíritos de Allan Kardec.
Dispondo do dinheiro necessário, comprou-o e, recolhendo-se imediatamente ao
lar, entregou-se com avidez à leitura. O próprio Denis falou: Nele encontrei a
solução clara, completa, lógica, acerca do problema universal. Minha convicção
tornou-se firme. A teoria espírita dissipou minha indiferença e minhas dúvidas.
Seu espírito, nessa hora, sentiu-se sacudido em face dos compromissos assumidos
no Espaço, para iniciar, em breve, o trabalho de propagação das verdades
kardequianas. Como tantos outros - disse ele -, procurava provas, fatos
precisos, de modo a apoiar minha fé, mas esses fatos demoraram muito a vir. A
princípio insignificantes, contraditórios, mesclados de fraudes e mistificações,
que não me satisfizeram, a ponto de, por vezes, pensar em não mais prosseguir
em minhas investigações, mas, sustentado, como estava, por uma teoria sólida
e de princípios elevados, não desanimei. Parece que o invisível deseja
experimentar-nos, medir nosso grau de perseverança, exigir certa maturidade de
espírito antes de entregar-nos a seus segredos.
Encontrava-se em
seus trabalhos de experimentações, quando importante acontecimento se
verificou em sua vida. Allan Kardec viera passar alguns dias na pacata cidade de
Tours, com seus amigos todos os espíritas turenses foram convidados a recebê-lo
e saudá-lo.
Em 1880, pelas
cidades e vilas que percorria, por força de seus afazeres, pronunciava conferências
e fundava círculos e bibliotecas populares. É incalculável o número de
conferências por ele proferidas na França, no propósito de propagar a Liga de
Ensino, fundada por Jean Macé.
O ano de 1882
marca, em realidade, o início de seu apostolado, no qual teve que enfrentar
sucessivos obstáculos: o materialismo e o positivismo que olham para o
Espiritismo com ironia e risadas os crentes das demais correntes religiosas que
não hesitam em se aliar com os ateus, para ridicularizá-lo e enfraquecê-lo. Léon
Denis, porém, como bom paladino, enfrenta a tempestade. Os companheiros invisíveis
colocam-se ao seu lado para encorajá-lo e exortá-lo à luta.
Coragem, amigo,
diz-lhe o Espírito de Jeanne, estaremos sempre contigo para te sustentar e
inspirar. Jamais estarás só. Meios ser-te-ão dados, em tempo, para bem
cumprires a tua obra.
Em 2 de novembro
de 1882, dia dos Mortos, que um evento de capital importância se produziu e sua
vida: a manifestação, pela primeira vez, daquele Espírito que, durante meio século,
havia de ser seu guia, seu melhor amigo, seu pai espiritual - Jerónimo de Praga
-, e que lhe disse: Vai, meu filho, pela estrada aberta diante de ti caminharei
atrás de ti para te sustentar. E como Léon Denis indagasse se seu estado de saúde
o permitiria estar à altura da tarefa, recebeu esta outra afirmativa: Coragem,
a recompensa ser mais bela.
A partir de 1884,
achou conveniente fazer palestras visando à maior difusão das idéias espíritas.
Escreveu, em 1885, o trabalho O Porque da Vida em que explica com nitidez e
simplicidade o que é o Espiritismo.
Em 1892, recebeu
um convite da Duquesa de Pomar, para falar de Espiritismo em sua residência,
numa dessas manhãs célebres, em que se reunia quase toda Paris. Ele ficou
indeciso, temeroso. Depois de muito meditar, pesando as responsabilidades,
aceitou o convite.
O êxito de seu
livro Depois da Morte situara-o como escritor de primeira ordem. Os grandes
jornais e revistas ecléticas o solicitavam as tiragens sucessivas desse livro
esgotavam-se rapidamente.
Eis a notícia
publicada por Le Journal , de Paris, acerca da reunião na casa da duquesa: A
reunião de ontem, foi uma das mais elegantes, ouvindo-se a conferência de Léon
Denis sobre a Doutrina Espírita. De uma eloqüência muito literária, o orador
soube encantar o numeroso auditório, falando-lhe do destino da alma, que pode,
diz ele, reencarnar até sua perfeita depuração. Ele possui a alma de um
Bossuet, soube criar um entusiasmo espiritualista.
A principal obra
literária de Denis foi a concernente ao Espiritismo, mas escreveu, outrossim,
segundo o testemunho de Henri Sausse, várias outras, como: Tunísia, Progresso,
Ilha de Sardenha, etc.
A partir de 1910,
a visão de Léon Denis foi, dia-a-dia, enfraquecendo-se. A operação a que se
submeteu, dois anos antes, não lhe proporcionara nenhuma melhora. Suportava,
com calma e resignação, a marcha implacável desse mal que o castigava desde a
juventude. Tudo aceitava com rigidez de princípios morais e resignação.
Jamais o viram queixar-se. Todavia, bem podemos avaliar quão grande lhe devia
ser o sofrimento.
Mantinha volumosa
correspondência. Jamais se aborrecia, amava a juventude, a alegria da alma. Era
inimigo da tristeza.
O mal físico,
para ele, devia ser bem menor do que a angústia que experimentava pelo fato de
não mais poder manejar a pena. Secretarias ocasionais a substituíam nesse ofício
no entanto a grande dificuldade para Denis consistia em rever e corrigir as
novas edições de seus livros e de seus escritos. Graças, porém, ao seu espírito
de ordem, à sua incomparável memória, superava todos esses contratempos sem
molestar ou importunar os amigos.
Depois da morte de
sua genitora, uma empregada cuidava de sua pequena habitação. Ele só exigia
uma coisa: a do absoluto respeito às suas numerosas notas manuscritas, as quais
ele arrumava com meticulosa precaução. E foi justamente por causa dessa sua
velha mania que a Duquesa de Pomar o denominara de o homem dos pequenos papéis.
Em 1911, após
despender não pequeno esforço no preparo da nova edição de O Problema do
Ser, do Destino e da Dor, caiu gravemente enfermo. O tratamento enérgico de seu
médico, para a pneumonia, pô-lo de pé em curto lapso de tempo.
Grande e profunda
dor estava para ele reservada. Veio guerra de 1914 e seu espírito se condoia ao
ver partir para o front a maioria de seus amigos.
Léon padecia, então,
de uma doença intestinal e estava parcialmente cego.
Pela incorporação,
seus amigos do Espaço e, entre eles, um Espírito eminente, comunicavam-lhe, de
tempos em tempos, suas opiniões sobre essa terrível guerra, considerada, em
seus dois aspectos, visível e oculto.
Essas práticas
levaram-no a escrever certo número de artigos, por ele publicados na Revue
Spirite , na Revue Suisse des Sciences Psychiquesó e no Echo Fid todo o seu
grande amor pela terra em que nasceu, dentro da lei de causa e efeito.
Quando a guerra
aproximava-se de seu fim, a ” Revue Spirite”
passou a publicar, em todos os seus números, artigos de Léon Denis.
Após a guerra de
1914, aprendeu braile, o que o permitiu ficar atualizado e fixar sobre o papel,
por meio de grille (impressão em braile), os elementos de capítulos ou artigos
que lhe vinham ao espírito, pois, já nesta época de sua vida, estava, por
assim dizer, quase cego.
Em 1915 iniciava
ele nova série de artigos repassados de poesia profunda e serena, sobre a voz
das coisas, preconizando o retorno à natureza .
Nesta época uma
forte vento soprava contra e kardequianismo. O fenomenismo metapsiquista
espalhava, aos quatro ventos, a doutrina do filosófico puro. O Sr. P. Heuzé
fazia muito barulho através de “L´Opinion”
, com suas entrevistas e comentários tendenciosos. Afirmava, prematuramente,
que, à medida que a metapsíquica fosse avançando, o Espiritismo, iria, "pari
passu", perdendo terreno. Sua profecia, no entanto, ainda não se realizou.
Após a vigorosa
resposta do Sr. Jean Meyer, pela “Revue
Spirite” , Léon Denis, por sua vez, entrou na discussão, na qualidade de
presidente de honra da União Espírita Francesa, em carta endereçada ao “Matin”
, na qual estabelecia, com admirável nitidez, a diferença existente entre o
Espiritismo e o Metapsiquismo.
A partir desse
momento, Léon Denis teve que exercer grande atividade jornalística para
responder às críticas e ataques de altos membros da Igreja Católica,
saindo-se, como era de esperar-se, de maneira brilhante.
Em março de 1927,
com 81 anos de idade, terminara o manuscrito que intitulou: O Gênio Céltico e
o Mundo Invisível, e neste mesmo mês a “Revue Spirite” publicava o seu derradeiro artigo.
Terça-feira, 12
de março de 1927, lá pelas 13 horas, respirava Denis com grande dificuldade a
pneumonia o atacava outra vez. A vida parecia abandoná-lo, mas seu estado de
lucidez era perfeito. Suas últimas palavras, pronunciadas com extraordinária
calma, mas com muita dificuldade, foram dirigidas à empregada Georgette: É
preciso terminar, resumir e... concluir. (fazia alusão ao prefácio da nova edição
biográfica de Kardec). Neste exato momento, faltaram-lhe completamente as forças
para que pudesse articular outras palavras. As 21:00 horas seu espírito
alou-se. Seu semblante parecia ainda em êxtase.
As cerimônias fúnebres
realizaram-se a 16 de abril. A seu pedido, o enterro foi modesto, sem ofício de
qualquer igreja confessional. Está sepultado no cemitério de La Salle, em
Tours.
Alguns livros de Léon
Denis:
CRISTIANISMO E ESPIRITISMO FEB
DEPOIS DA MORTE FEB
ESPÍRITOS E MÉDIUNS CELD
JOANA D´ARC, MÉDIUM FEB
O PORQUE DA VIDA FEB
O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR FEB
SOCIALISMO E ESPIRITISMO O CLARIM
Baseado no livro Páginas de Léon Denis autor:
Sylvio Brito Soares - Ed. FEB - 2ª edição - 1984.

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Nascida
na cidade de Resende, Estado do Rio de Janeiro, no dia 1º de fevereiro de 1856,
e desencarnada em S. Paulo, no dia 13 de janeiro de 1919.
Seu
nome de solteira era Anália Emília Franco. Após consorciar- se em matrimônio
com Francisco Antônio Bastos, seu nome passou a ser Anália Franco Bastos,
entretanto, é mais conhecida por Anália Franco.
Com 16
anos de idade entrou num Concurso de Câmara dessa cidade e logrou aprovação
para exercer o cargo de professora primária. Trabalhou como assistente de sua
própria mãe durante algum tempo. Anteriormente a 1875 diplomou-se normalista,
em S. Paulo.
Foi após
a Lei do Ventre Livre que sua verdadeira vocação se exteriorizou: a vocação
literária. Já era por esse tempo notável como literata, jornalista e poetisa,
entretanto, chegou ao seu conhecimento que os nascituros de escravas estavam
previamente destinados à "Roda" da Santa Casa de Misericórdia. Já
perambulavam, mendicantes, pelas estradas e pelas ruas, os negrinhos expulsos
das fazendas por impróprios para o trabalho. Não eram, como até então
"negociáveis", com seus pais e os adquirentes de cativos davam preferência
às escravas que não tinham filhos no ventre. Anália escreveu, apelando para
as mulheres fazendeiras. Trocou seu cargo na Capital de São Paulo por outro no
Interior, a fim de socorrer as criancinhas necessitadas. Num bairro de uma
cidade do norte do Estado de S. Paulo conseguiu uma casa para instalar uma
escola primária. Uma fazendeira rica lhe cedeu a casa escolar com uma condição,
que foi frontalmente repelida por Anália: não deveria haver promiscuidade de
crianças brancas e negras. Diante dessa condição humilhante foi recusada a
gratuidade do uso da casa, passando a pagar um aluguel. A fazendeira guardou
ressentimento à altivez da professora, porém, naquele local Anália inaugurou
a sua primeira e original "Casa Maternal". Começou a receber todas as
crianças que lhe batiam à porta, levadas por parentes ou apanhadas nas moitas
e desvios dos caminhos. A fazendeira, abusando do prestígio político do
marido, vendo que a sua casa, embora alugada, se transformara num albergue de
negrinhos, resolveu acabar com aquele "escândalo" em sua fazenda.
Promoveu diligências junto ao coronel e este conseguiu facilmente a remoção
da professora. Anália foi para a cidade e alugou uma casa velha, pagando de seu
bolso o aluguel correspondente à metade do seu ordenado. Como o restante era
insuficiente para a alimentação das crianças, não trepidou em ir,
pessoalmente, pedir esmolas para a meninada. Partiu de manhã, a pé, levando
consigo o grupinho escuro que ela chamava, em seus escritos, de "meus
alunos sem mães". Numa folha local anunciou que, ao lado da escola pública,
havia um pequeno "abrigo" para as crianças desamparadas. A fama, nem
sempre favorável da professora, encheu a cidade. A curiosidade popular tomou-se
de espanto, em um domingo de festa religiosa. Ela apareceu nas ruas com seus
"alunos sem mães". Moça e magra, modesta e altiva, aquela
impressionante figura de mulher, que mendigava para filhos de escravas,
tornou-se o escândalo do dia. Era uma mulher perigosa, na opinião de muitos.
Seu afastamento da cidade principiou a ser objeto de consideração em rodas políticas,
nas farmácias. Mas rugiu a seu favor um grupo de abo1icionistas e republicanos,
contra o grande grupo de católicos, escravocratas e monarquistas.
Com o
decorrer do tempo, deixando algumas escolas maternais no Interior, veio para S.
Paulo, entrou brilhantemente para o grupo abolicionista e republicano. Sua missão,
porém, não era política. Sua preocupação maior era com as crianças
desamparadas, o que a levou a fundar uma revista própria, intitulada "Álbum
das Meninas", cujo primeiro número foi em 30 de abril de 1898. O artigo de
fundo tinha o título "Às mães e educadoras". Seu prestígio no seio
do professorado já era grande quando surgiram a abolição da escravatura e a
República. O advento dessa nova era encontrou Anália com dois grandes colégios
gratuitos para meninas e meninos. E logo que as leis o permitiram, ela,
secundada por vinte senhoras amigas, fundou o instituto educacional que se
denominou "Associação Feminina Beneficente e Instrutiva", no dia 17
de novembro de 1901, com sede no Largo do Arouche, em S. Paulo.
Em
seguida criou várias "Escolas Maternais" e "Escolas
Elementares", instalando, com inauguração solene a 25 de janeiro de 1902,
o "Liceu Feminino", que tinha por finalidade instruir e preparar
professoras para a direção daquelas escolas, com o curso de dois anos para as
professoras de "Escolas Maternais" e de três anos para as
"Escolas Elementares".
Anália
Franco publicou numerosos folhetos e folhetins referentes aos cursos ministrados
em suas escolas, tratados especiais sobre a infância, nos quais as professoras
encontraram meios de desenvolver as faculdades afetivas e morais das crianças,
instruindo-as ao mesmo tempo. O seu folhetim "O Novo Manual
Educativo", era dividido em três partes: Infância, Adolescência e
Juventude.
Em 1º
de dezembro de 1903, passou a publicar "A Voz Maternal", revista
mensal com a tiragem de 6.000 exemplares, impressos em oficinas próprias.
A
Associação Feminina mantinha um Bazar na rua do Rosário nº. 18, em S. Paulo,
para a venda dos artefatos das suas oficinas, e uma filial desse estabelecimento
na Ladeira do Piques nº 23.
Anália
Franco mantinha Escolas Reunidas na Capital e Escolas Isoladas no Interior,
Escolas Maternais, Creches na Capital e no Interior do Estado, Bibliotecas
anexas às escolas, Escolas Profissionais, Arte Tipográfica, Curso de Escrituração
Mercantil, Prática de Enfermagem e Arte Dentária, Línguas (francês,
italiano, inglês e alemão); Música, Desenho, Pintura, Pedagogia, Costura,
Bordados, Flores artificiais e Chapéus, num total de 37 instituições.
Era
romancista, escritora, teatróloga e poetisa. Escreveu uma infinidade de
livretos para a educação das crianças e para as Escolas, os quais são dignos
de serem adotados nas Escolas públicas.
Era espírita
fervorosa, revelando sempre inusitado interesse pelas coisas atinentes à
Doutrina Espírita.
Produziu
a sua vasta cultura três ótimos romances: "A Égide Materna",
"A Filha do Artista", e "A Filha Adotiva". Foi autora de
numerosas peças teatrais, de diálogos e de várias estrofes, destacando-se
"Hino a Deus", "Hino a Ana Nery", "Minha Terra",
"Hino a Jesus" e outros.
Em 1911
conseguiu, sem qualquer recurso financeiro, adquirir a "Chácara Paraíso".
Eram 75 alqueires de terra, parte em matas e capoeiras e o restante ocupado com
benfeitorias diversas, entre as quais um velho solar, ocupado durante longos
anos por uma das mais notáveis figuras da História do Brasil: Diogo Antônio
Feijó.
Nessa
chácara fundou a "Colônia Regeneradora D. Romualdo", aproveitando o
casarão, a estrebaria e a antiga senzala, internando ali sob direção
feminina, os garotos mais aptos para a lavoura, a horticultura e outras
atividades agropastoris, recolhendo ainda moças desviadas e conseguindo assim
regenerar centenas de mulheres.
A vasta
sementeira de Anália Franco consistiu em 71 Escolas, 2 albergues, 1 colônia
regeneradora para mulheres, 23 asilos para crianças órfãs, 1 Banda Musical
Feminina, 1 orquestra, 1 Grupo Dramático, além de oficinas para manufatura de
chapéus, flores artificiais, etc., em 24 cidades do Interior e da Capital.
Sua
desencarnação ocorreu precisamente quando havia tomado a deliberação de ir
ao Rio de Janeiro fundar mais uma instituição, idéia essa concretizada
posteriormente pelo seu esposo, que lá fundou o "Asilo Anália
Franco".
A
obra de Anália Franco foi, incontestavelmente, uma das mais salientes e meritórias
da História do Espiritismo.

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Amélie Gabrielle Boudet

Srª
Kardek
nasceu a 23 de novembro de 1795 em Thiais,
comunidade a 12 quilômetros ao sul de Paris .
Filha única de Julien Louis Boudet e de Julie Louise Segneat de Lacomb, Amélie aliou desde cedo grande vivacidade a forte interesse pelos estudos, tendo uma fina educação moral, o que lhe proporcionou apurados dotes intelectuais.
Diplomou-se numa Escola Normal em Paris, em professora de 1 Classe, foi também professora de Letras e Belas Artes. Escreveu diante desta fecundidade intelectual, 3 obras: Contos Primaveris (1825), Noções de Desenho (1826), O Essencial em Belas Artes (1828) . Imersa em meio de tanta cultura, tornou-se óbvio o encontro de almas afins, o encontro com
Hypollite Leon Denizard Rivail.
O casamento ocorreu em 6 de Fevereiro de 1832, reafirmando um amor de vidas passadas, cujo compromisso mútuo de auxílio, os religaram de maneira
muito apropriada . Apesar da diferença de 9 anos, a vivacidade que lhe era inerente, se tornou cúmplice de tamanho amor. Seguindo a sua formação pestalozziana, Kardec veio a fundar um Instituto Técnico com base nos métodos do seu professor. Amélie acompanhou-o através de uma fase difícil para a educação francesa, que não tinha o apoio governamental para o ensino primário, o que só se modificou em 1833. 2 anos após, este Instituto veio a cerrar as suas portas por dificuldades financeiras. Amélie como toda grande mulher, apoiou-lhe em momento tão revés, auxiliando-lhe enquanto ele fazia a contabilidade de estabelecimentos comerciais, na preparação de cursos gratuitos que eles deram origem em 1835, na sua própria casa.
Diante de tanta luta e empenho, o casal Rivail veio a restabelecer sua situação financeira. Kardec
tornou-se bastante respeitado em meio acadêmico, através de obras pedagógicas adotadas pela Universidade de França, cursos públicos de matemática e astronomia, para alunos e professores.
Em 1854, em meio a fenomenologia das mesas girantes e ao célebre episódio de Hydelsville (em Nova York), a Europa estava imersa no maravilhoso e desconhecido limite entre os planos físicos e espiritual. Através de Sr.
Baudin, Kardec assistia a sua primeira manifestação da Dança das Mesas, em 1855 iniciar seus primeiros estudos em casa do amigo. Amélie o acompanhava, irradiando uma alegria pelo novo horizonte que descortinava a sua mente.
Iniciando a escrita do Pentateuco, Kardec encontrava em sua esposa a incentivadora, secundando-lhe nos árduos, porém tão dignos trabalhos.
Kardec lança em 1 de Janeiro de 1858, o Livro dos Espíritos com o apoio de sua esposa. Dado ao âmbito de suas atividades, a sua casa tornou-se foco de sucessivas reuniões que exigiram
da Sra. Amélie extenuante, porém abnegado zelo pelos que ali chegavam. Tamanha era a freqüência das pessoas, que levou um grande número a sua casa deixando-a apertada a ponto de Kardec
em abril de 1858 criar a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
A época era de extremo domínio clerical, o que rendeu a Kardec inimigos gratuitos, injúrias, calunias, traições... Amélie era a consolação e o amparo para o codificador.
Iniciaram-se as célebres viagens de Kardec, que tinham na medida do possível a companhia da abnegada esposa.
Aos 31 de março de 1969, Kardec desencarnava. Amélie dava testemunho vivo do entendimento da proposta espírita, apesar da profunda dor. 37 anos
acompanhando o mestre Kardec , na infinita luta em prol do esclarecimento da humanidade. Silenciara Madame
Amélie em face as calúnias que foram feitas ao seu iluminado marido.
Recebera manifestações da França e do estrangeiro, e uma manifestação incontestável dos espiritistas dos préstimos do Bom Senso Encarnado, que arrecadaram contribuições para erguerem um dólmen que lembra as arquiteturas druidescas, e um busto de bronze do Mestre Kardec, inaugurada a 31 de março de 1870.
O desencarne e morte de Kardec em nada abalou o espírito trabalhador e virtuoso de
Amélie, que geriu, apesar da avançada idade, os recursos, as propriedades e as obras que a tinham como única proprietária.
O seu empenho pessoal deu motivação ao prosseguimento da doutrina, fazendo do seu esforço pessoal a marca viva do entendimento concreto e real, de um pensamento que vive até hoje em nossas mentes e corações.
Sr. Leymarie foi um dos mais célebres colaboradores da doutrina, assumindo a administração da Revue Spirite, ajudando Sra. Kardec
na propagação da doutrina espírita. Teve a Sociedade Espírita o nome: Madame Allan Kardec, o que causou ciúmes de determinados membros, mas a anciã em Assembléia pediu que fosse chamada: Sociedade para a continuação das Obras espíritas de Allan Kardec. Aos 87 anos, mantinha a lucidez que poucas pessoas conseguem ter.
Desencarnou a 23 de Janeiro de 1883, sendo enterrada junto ao dólmen de Allan Kardec. Participaram do seu enterro Gabriel Delane, Sr. Leymarie, entre outros e Sr. Lecoq que leu uma mensagem de Antônio de Pádua que relatara a chegada na espiritualidade daquele ser tão bem-aventurado.
Texto elaborado por Casal Cláudio e Cristiane Gonçalo
Resumo de texto extraído do Reformador, Novembro de 1995

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Cornélio
Pires

Nascido na cidade de Tiete - SP, no dia 13/07/1884, e desencarnado em São Paulo - SP, em 17/02/1958.
Com 17 anos veio de Tietê para São Paulo, para participar de um vestibular na Faculdade de Farmácia. Não conseguindo realizar seu intento, dedicou-se à carreira jornalística, passando a trabalhar na redação do jornal O Comércio de São Paulo . Posteriormente trabalhou no jornal O São Paulo, ocupando também o cargo de revisor de O Estado de São Paulo. Em 1914, passou a contribuir para o jornal O Pirralho.
Aconselhado pelo grande jornalista Amadeu Amaral, Cornélio Pires resolveu tornar-se regionalista, salientando-se então como um dos maiores divulgadores do folclore brasileiro.
Pelos idos de 1910, lançou Musa Caipira, livro que foi saudado pela crítica, devido ao seu conteúdo tipicamente brasileiro.
Abandonando a carreira jornalística, Cornélio Pires decidiu viajar pelo interior do Estado de São Paulo e de outros Estados brasileiros, estreando na condição de caipira humorista. Alguns anos depois, chegou a organizar o Teatro Ambulante Gratuito Cornélio Pires , perambulando de cidade em cidade, tornando-se admirado por toda população brasileira.
Alguns anos antes da sua desencarnação, voltou para Tietê, comprou uma chácara nas vizinhanças da cidade e fundou a Granja de Jesus , lar destinado à criança desamparada, tendo desencarnado sem poder ver a conclusão de sua obra.
Ainda pouco antes de sua desencarnação, já espírita convicto, trabalhava na preparação da Coletânea Espírita . Nessa época já havia publicado duas obras de fundo nitidamente espírita: Onde Estás ó Morte? e Coisas do Outro Mundo , nos anos de 1944 e 1945.
Narrou Cornélio Pires que, em 1901, começou a freqüentar a Igreja Presbiteriana, entretanto, não conseguiu conciliar os ensinamentos dessa igreja com o seu modo de pensar. As idéias das penas eternas e da preferência de Deus por membros de determinadas religiões, não encontraram guarida em seu coração. Não conseguindo extrair dos Evangelhos os ensinamentos segundo a inspiração do Espírito, mas apegando-se mais ao formalismo da letra que mata, acabou quase descambando para o materialismo.
Nessa época não conhecia ainda o Espiritismo, porém, quando começou a viajar para o exterior, aconteceram com ele vários fenômenos mediúnicos, que muito o impressionaram, principalmente algumas comunicações recebidas do Espírito Emílio de Menezes.
Interessando-se por essa Doutrina, passou a ler os livros de Allan Kardec, Léon Denis, Stainton Moses, Albert de Rochas, os livros psicografados por Chico Xavier e outros.
Daí em diante integrou-se resolutamente ao Espiritismo, interessando-se particularmente pelos fenômenos de efeitos físicos e materializações, tendo publicado várias fotos de Espíritos desencarna- dos em seu livro Onde estás ó Morte? .
Francisco Cândido Xavier psicografou alguns livros ditados por Cornélio Pires, do Plano Espiritual.
Foi um humorista em sua mais elevada expressão, empolgando as platéias com seu gênero característico, cativando a simpatia de todos os brasileiros.
Num dos escritos sobre a Doutrina Espírita, dizia ele: O Espiritismo, mais cedo ou mais tarde, fará aos católicos romanos, aos protestantes e aos adeptos de outros credos, a caridade de robustecer-lhes a Fé, com todos os fatos que provam a imortalidade da alma, que se transforma em Espírito ao deixar o invólucro material . E mais adiante: Como religião o Espiritismo nos religa ao um Pai que é Amor e não chibata, e que, sendo Amor não iria matar o seu próprio Filho Jesus em benefício de uma humanidade perversa.
O Espiritismo nos proporciona a FÉ RACIOCINADA, nos arrebata ao jugo do dogma e nos ensina a compreender Deus como Ele é .
Texto elaborado por José Basílio
- Fonte principal: Personagens do Espiritismo de Antônio de Souza Lucena e Paulo Alves Godoy - Ed. FEESP - 1ª ed. - 1982 - SP - Brasil

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Batuíra

ANTÔNIO GONÇALVES DA SILVA BATUÍRA
Nascido a 19 de março de 1839, em Portugal, na Freguesia de Águas
Santas, hoje integrada no Conselho da Maia, e desencarnado em São
Paulo, no dia 22 de janeiro de 1909.
Completada a sua instrução primária, veio para o Brasil, com apenas onze anos de idade, aportando no Rio de Janeiro, a 3 de janeiro de 1850.
Seu nome de origem era Antônio Gonçalves da Silva, entretanto, devido a ser um moço muito ativo, correndo daqui para acolá, a gente da rua o apelidara
"o batuíra", o nome que se dava à narceja, ave pernalta, muito ligeira, de vôo rápido, que freqüentava os charcos na várzea formada, no atual Parque D. Pedro II, em S. Paulo, pelos transbordamentos do rio Tamanduateí. Desde então o cognome "Batuíra" foi incorporado ao seu nome.
Batuíra desempenhou uma série de atividades que não cabe registrar nesta concisa biografia, entretanto, podemos afirmar que defendeu calorosamente a idéia da abolição da escravatura no Brasil, quer seja abrigando escravos em sua casa e conseguindo-lhes a carta de alforria, ou fundando um jornalzinho a fim de colaborar na campanha
iniciada pelos grandes abolicionistas Luiz Gama, José do Patrocínio, Raul Pompéia, Paulo Ney, Antônio Bento, Rui Barbosa e tantos outros grandes paladinos das idéias liberais.
Homem de costumes simples, alimentando-se apenas de hortaliças, legumes e frutas, plantava no quintal de sua casa tudo aquilo de que necessitava para o seu sustento. Com as economias, adquiriu os então desvalorizados terrenos do Lavapés, em S. Paulo, edificando ali boa casa de residência e, ao lado dela, uma rua particular com pequenas casas que alugava a pessoas necessitadas. O tempo contribuiu para que tudo ali se valorizasse, propiciando a Batuíra apreciáveis recursos financeiros. A rua particular deveria ser mais tarde a Rua Espírita, que ainda lá está.
Tomando conhecimento das altamente consoladoras verdades do Espiritismo, integrou-se resolutamente nessa causa, procurando pautar seus atos nos moldes dos preceitos evangélicos.
Identificou-se de tal maneira com os postulados espíritas e evangélicos que, ao contrário do "moço rico" da narrativa evangélica, como que procurando dar uma demonstração eloqüente da sua comunhão com os preceitos legados por Jesus Cristo, desprendeu-se de tudo quanto tinha e pôs-se a seguir as suas pegadas. Distribuiu o seu tesouro na Terra, para entrar de posse daquele outro tesouro do Céu.
Tornou-se um dos pioneiros do Espiritismo no Brasil. Fundou o "Grupo Espírita Verdade e Luz", onde, no dia 6 de abril de 1890, diante de enorme assembléia, dava início a uma série de explanações sobre "O Evangelho Segundo o Espiritismo".
Nessa oportunidade deixara de circular a única publicação espírita da época, intitulada "Espiritualismo Experimental" redigida desde setembro de 1886, por Santos Cruz Júnior. Sentindo a lacuna deixada por essa interrupção, Batuíra adquiriu uma pequena tipografia, a que denominou "Tipografia Espírita", iniciando a 20 de maio de 1890, a publicação de um quinzenário de quatro páginas com o nome "Verdade e Luz", posteriormente transformado em revista e do qual foi o diretor-responsável até a data de sua desencarnação.
A tiragem desse periódico era das mais elevadas, pois de 2 ou 3 mil exemplares, conseguiu chegar até 15 mil, quantidade fabulosa naquela época, quando nem os jornais diários ultrapassavam a casa dos 3 mil exemplares. Nessa tarefa gloriosa e ingente Batuíra despendeu sua velhice. Era de vê-lo, trôpego, de grandes óculos, debruçado nos cavaletes da pequena tipografia, catando, com os dedos trêmulos, letras no fundo dos
caixotins.
Para a manutenção dessa publicação, Batuíra despendeu somas respeitáveis, já que as assinaturas somavam quantia irrisória. Por volta de 1902 foi levado a vender uma série de casas situadas na Rua Espírita e na Rua dos Lavapés, a fim de equilibrar suas finanças.
Não era apenas esse periódico que pesava nas finanças de Batuíra. Espírito animado de grande bondade, coração aberto a todas as desventuras, dividia também com os necessitados o fruto de suas economias. Na sua casa a caridade se manifestava em tudo: jamais o socorro foi negado a alguém, jamais uma pessoa saiu dali sem ser devidamente amparada, havendo mesmo muitas afirmativas de que "um bando de aleijados vivia com ele". Quem ali chegasse, tinha cama, mesa e um cobertor.
Certa vez um desses homens que viviam sob o seu amparo, furtou-lhe um relógio de ouro e corrente do mesmo metal. Houve uma denúncia e ameaças de prisão. A esposa de Batuíra
lamentou-se, dizendo: "é o único objeto bom que lhe resta".
Batuíra, porém, impediu que se tomasse qualquer medida, afirmando: "Deixai-o, quem sabe precisa mais do que eu".
Batuíra casou-se em primeiras núpcias com Da. Brandina Maria de Jesus, de quem teve um filho, Joaquim Gonçalves Batuíra, que veio a desencarnar depois de homem feito e casado. Em segundas núpcias, casou-se com Da. Maria das Dores Coutinho e Silva; desse casamento teve um filho, que desencarnou repentinamente com doze anos de idade. Posteriormente adotou uma criança retardada mental e paralítica, a qual conviveu em sua companhia desde 1888.
Figura bastante popular em S. Paulo, Batuíra tornou-se querido de todos, tendo vários órgãos da imprensa leiga registrado a sua desencarnação e
feito apologia da sua figura exponencial de homem caridoso e dedicado aos sofredores.
fonte: GEAE
- LIVROS: Grandes Vultos do Espiritismo

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CAÍRBAR
SCHUTEL

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, a 22 de setembro de 1868 e
desencarnado em Matão, Estado de S. Paulo, no dia 30 de janeiro de
1938.
Quando eram ensaiados os primeiros passos no grandioso programa de divulgação do Espiritismo, e quando a Doutrina dos Espíritos era vista como uma novidade que vinha abalar os conceitos até então prevalecentes sobre a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos Espíritos, dentre os pioneiros da época, surgiu um vulto que se destacou de forma inusitada, fazendo com que a difusão da nova Doutrina tivesse uma penetração até então desconhecida.
O nome desse seareiro era Caírbar de Souza Schutel, nome esse que se impôs, em pouco tempo, ao respeito e consideração de todos. Ele jamais esmoreceu no propósito de fazer com que a nova revelação, que vinha fazer o mundo descortinar novos horizontes e prometia restaurar, na Terra, as primícias dos ensinamentos legados por Jesus Cristo quase vinte séculos antes pudessem conquistar os corações dos homens, implantando-se na face do nosso planeta como uma nova força cujo objetivo básico era de extirpar o fantasma do materialismo avassalador.
Tudo aquilo que se disser sobre Caírbar Schutel não passa de uma súmula muito apagada de uma vida cheia de lutas, de percalços e, sobretudo de ardente idealismo.
Caírbar de Souza Schutel, aos nove anos de idade, ficava órfão de pai e, seis meses após, de mãe. Seu avô, Dr. Henrique Schutel, interessou-se pela sua educação, matriculando-o no Colégio Nacional, depois Colégio D. Pedro II, onde estudou durante dois anos.
Animado de novos propósitos, abandonou os estudos e a casa do avô, passando a trabalhar como prático em farmácia, o que fez com que, aos 17 anos de idade já se tornasse respeitável profissional desse ramo. Nessa época abandonou a antiga Capital Federal e rumou para o Estado de S. Paulo, onde se localizou primeiramente em Piracicaba e logo após em Araraquara e Matão. Esta última cidade era então um lugarejo muito singelo, com poucas casas e dependendo quase que exclusivamente do comércio de Araraquara, a cujo município pertencia.
Nessa humilde cidade, Caírbar Schutel acalentou o propósito de servir à coletividade, o que fez com que batalhasse arduamente para que Matão subisse à categoria de Município. Conseguindo colimar esse desiderato, foi eleito seu primeiro Prefeito.
Homem dotado de ilibado caráter, de ampla visão e de grande humildade, conseguiu conquistar os corações de todos. Na política não enfrentava obstáculos. Deve-se a ele a edificação do prédio da Câmara Municipal, o que fez com seus próprios recursos financeiros.
A política, no entanto, não era o seu objetivo, por isso, tão logo ele teve a sua Estrada de Damasco, representada pela sua conversão ao Espiritismo, abandonou esse campo, passando a dedicar-se inteiramente à nova Doutrina.
Conheceu o Espiritismo através de Manoel Pereira do Prado, mais conhecido por Manoel Calixto, que na época era um dos poucos e o mais destacado espírita do lugar. Embora não sendo profundo conhecedor dos princípios básicos da Codificação Kardequiana, Manoel Calixto conseguiu impressionar o futuro apóstolo, com uma mensagem mediúnica de elevado cunho espiritual, recebida por seu intermédio.
Em seguida a esse episódio, Caírbar integrou-se no conhecimento das obras fundamentais da Doutrina Espírita e, tão logo se sentiu compenetrado daquilo que ela ensina, fundou, no dia l5 de julho de 1904, o primeiro núcleo espírita da cidade e da zona, denominando-o "Centro Espírita Amantes da Pobreza".
Não satisfeito com essa arrojada realização, no mês de agosto de 1905, lançou a primeira edição do jornal "O Clarim", órgão esse que vem circulando desde então e que se constituiu, de direito e de fato, num dos mais tradicionais e respeitáveis veículos da imprensa espírita.
Numa época quando pontificava verdadeira intolerância religiosa e quando o Espiritismo e outras religiões sofriam o impacto da ação exercida pela religião majoritária, Caírbar Schutel também teve o seu Calvário: um sacerdote reacionário e profundamente intolerante resolveu promover gestões no sentido de fechar as portas do Centro Espírita, usando como arma ardilosa uma campanha persistente no sentido de fazer com que a farmácia de Caírbar fosse boicotada pelo povo.
Com o apoio do delegado de polícia, conseguiu deste a ordem para o fechamento do Centro onde se difundia o Espiritismo. Caírbar Schutel, no entanto, não era dos que se intimidam e, contra o padre e o delegado, levantou a barreira da sua autoridade moral e da sua coragem. A ordem do delegado não foi respeitada por atentar contra a letra da Constituição Federal de 1891, e o valoroso espírita foi à praça pública protestar contra tamanho desrespeito.
O padre, não tolerando aquela manifestação promovida por Caírbar, também promoveu uma passeata de desagravo. Outros sacerdotes, nessa época, já estavam em Matão, apregoando a necessidade de se manter o "herético" circunscrito, de nada se adquirirem
em sua farmácia, e, sobretudo proibindo a todos a freqüência ao Centro Espírita.
Em face da tremenda pressão exercida, Caírbar anunciou que falaria ao povo em praça pública, refutando ponto por ponto todas as acusações gratuitas que lhe eram atribuídas pelos
sacerdotes, mas o delegado proibiu-o de falar.
Caírbar não acatou a proibição do delegado e, estribando-se na Constituição, dirigiu-se para a praça pública, falando aos poucos que, não temendo as represálias do padre, tiveram a coragem de lá comparecer.
Este, por sua vez, expressou a idéia de que, se a liberalíssima Constituição brasileira permitia esse direito a Caírbar, a Igreja de forma alguma consentiria e, aliciando um grupo de homens fanatizados, marchou para a praça pública, cantando hinos e cantorias fúnebres, portando, além disso, vários tipos de armas. O objetivo da procissão noturna era de abafar a voz do orador e atemorizar o povo.
Essa barulhenta manifestação provocou a repulsa de algumas pessoas cultas da cidade, as quais, dirigindo-se à praça, pediram a aquiescência do orador para, de público, manifestarem a desaprovação àquelas manifestações e responsabilizando o padre pelas conseqüências danosas daquele desrespeito à Carta Magna, afirmando que o orador tinha todo o direito de falar e de se defender.
Diante dessa reação, o padre ficou assombrado e decidiu dispersar os acompanhantes, o que possibilitou a Caírbar prosseguir na defesa dos seus direitos e dos seus ideais.
Caírbar sabia ser amigo até dos seus próprios inimigos. Sempre inspirava simpatia e respeito. Sempre feliz no seu receituário, tornou-se, dentro em pouco, o Médico dos Pobres e o Pai da Pobreza, de Matão. Além de prescrever o medicamento, ele o dava gratuitamente aos necessitados. Sua residência tomou-se um refúgio para os pobres da cidade. Muitas pessoas eram socorridas pela sua generosidade. Muitos recebiam socorros da mais variada espécie, em víveres, em roupas e, sobretudo assistência espiritual.
O sentimento de amor ao próximo teve nele incomparável paradigma. Estava sempre solícito e pronto para socorrer um enfermo ou um
obsediado.
Atos de renúncia e de desapego eram comuns em sua vida. Sua residência chegou a ser transformada em hospital de emergência para doentes mentais e obsedados. Em vista do crescente número de enfermos, em 1912 alugou uma casa mais ampla, na qual tratava com maiores recursos e com mais liberdade todos aqueles que apelavam para a sua ajuda fraternal.
No dia 15 de fevereiro de 1925, lançou o primeiro número da "Revista Internacional de Espiritismo", órgão que desde então vem circulando sem solução de continuidade.
Quando foi rasgada a Constituição ultraliberal de 1891, Caírbar Schutel foi à praça pública apoiando a Coligação Nacional Pró-Estado Leigo, entidade fundada no Rio de Janeiro pelo Dr. Artur Lins de Vasconcelos Lopes. Nesse propósito combateu sistematicamente a pretensão, esposada por alguns grupos, de se introduzir o ensino religioso obrigatório nas escolas.
Certa vez programou uma reunião num cinema de cidade vizinha para abordar esse tema. Na hora aprazada ali estavam apenas alguns dos seus amigos, dentre eles José da Costa Filho e João Leão Pitta. Caírbar não se perturbou. Mandou comprar meia dúzia de foguetes e soltou-os à porta do cinema. Daí a 20 minutos o recinto estava repleto.
Foi pioneiro no lançamento de programa espírita pelo rádio, pois em 1936 inaugurou, pela PRD-4
- Rádio Cultura de Araraquara, uma série de palestras que mais tarde publicou num volume de 206 páginas.
Como jornalista escreveu muito. Durante muito tempo manteve uma seção de crônicas e reportagens no "Correio Paulistano" e na "Platéia", antigos órgãos da imprensa leiga.
Sua bibliografia é bastante vasta, dela destacamos as seguintes obras: "Espiritismo e Protestantismo", "Histeria e Fenômenos Psíquicos", "O Diabo e a Igreja", "Médiuns e Mediunidade", "Gênese da Alma", "Materialismo e Espiritismo", "Fatos Espíritas e as Forças X", "Parábolas e Ensinos de Jesus", "O Espírito do Cristianismo", "A Vida no Outro Mundo", "Vida e Atos dos Apóstolos", "Conferências Radiofônicas", "Cartas a Esmo" e "Interpretação Sintética do Apocalipse".
Fundou também a Empresa Editora "O Clarim", que passou a editar livros de outros autores. Caírbar Schutel foi um homem de fé, orador convincente, trabalhador infatigável, dinâmico, realizador e portador dos mais vivificantes exemplos de virtude cristã.
GRANDES VULTOS DO ESPIRITISMO

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Augusto Militão Pacheco

Nascido no dia 13 de junho de l866 e desencarnado em São Paulo, a 7
de julho de 1954.
Muito deve o Espiritismo ao Dr. Augusto Militão Pacheco, pelo testemunho que deu da Doutrina dos Espíritos. Animado de uma fé imorredoura na vida espiritual conseguiu
fundamentar, através da existência transitória do corpo, a vida imortal do Espírito imperecível.
Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, no ano de 1904, Militão Pacheco foi nesse mesmo ano convidado a ir ao Estado do Maranhão a fim de ajudar a debelar um surto de peste bubônica que grassava naquela região do norte do Brasil. Apesar de não contar com qualquer espécie de hospital de isolamento nem com condições adequadas para o combate àquela enfermidade contagiosa, dirigiu-se para lá em companhia do diretor do Hospital de Isolamento de S. Paulo, dois médicos mineiros e mais um outro, conseguindo marcante sucesso na tarefa. Nessa altura foi convidado para ser diretor do Serviço Sanitário do Estado do Maranhão pelo período de dois anos. Para lá transferiu-se com sua esposa e três filhos, porém, renunciou após oito meses de atividades intensas, por não ver atendidas as suas reivindicações, imprescindíveis para o bom andamento dos serviços.
Nos primeiros anos do presente século (não nos foi possível comprovar se em 1901 ou 1902), comparecendo a uma sessão espírita, ali se lembrou de sua filhinha desencarnada com apenas 52 dias de vida e formulou ardente solicitação mental para que ela viesse beijá-lo.
Sem que tivesse qualquer conhecimento do desejo que alimentava, os médiuns videntes que ali estavam presentes, decorridos alguns minutos descreveram que o Espírito da menina havia se dirigido ao pai e ali estava cobrindo-o de beijos. Esse testemunho foi o suficiente para que Militão Pacheco se convertesse ao Espiritismo.
Um outro fato veio mudar o rumo de sua vida, Sua esposa sofria, a alguns anos, de pertinaz enfermidade e, para curá-la havia ele esgotado todos os recursos que a medicina alopática lhe havia proporcionado. Visitando a família do Juiz de Direito, de Campinas, ela teve ali uma das suas crises. A esposa do juiz pediu permissão para recomendar-lhe um remédio homeopático. O remédio foi comprado e o tratamento iniciado. Após essa ocorrência ela teve apenas duas ameaças de crise e o mal desapareceu por completo.
O Dr. Pacheco, que vinha exercendo a medicina alopática há cinco anos, procurou o único médico homeopata existente em Campinas, iniciando assim um estudo profundo sobre a homeopatia, para o que conseguiu alguns livros a título de empréstimo. Dali por diante deixou por completo de praticar a medicina alopática.
No dia 23 de julho de 1896, através de decreto assinado pelo então presidente do Estado de S. Paulo, Jorge Tibiriçá e por Gustavo de Oliveira Godoy, Militão Pacheco foi nomeado, em comissão, para exercer o cargo de inspetor sanitário do Estado, cargo no qual foi efetivado a 26 de setembro do mesmo ano, exercendo-o até 1920, quando se aposentou.
Durante mais de meio século, o Dr. Pacheco exerceu na capital paulista o apostolado da Medicina. E dizemos apostolado porque foi notável médico no sentido cordial, humanitário, prestativo, dedicando-se inteiramente à tarefa de auxiliar o seu próximo, conseguindo desta forma realizar gigantesco trabalho de assistência individual e coletiva como poucos conseguiram realizar na Terra.
Foi sempre de incomparável bondade no tratamento de todos os seus incontáveis clientes, retornando ao mundo espiritual abençoado por milhares de corações, legando aos homens uma vida que se constituiu em verdadeiro modelo de virtude, um exemplo incomparável de beleza moral, emanada de um caráter reto e de uma decisão inquebrantável.
Muitas pessoas que não podiam pagar consultas eram atendidas com igual dedicação e não raras voltavam com o auxílio financeiro para a aquisição dos remédios prescritos por aquelas mãos abençoadas. No terreno filosófico, conquanto fosse grande admirador de geniais pensadores de várias escolas, pois era um cidadão independente e portador de invejável cultura intelectual e científica, nunca negou a sua incondicional dedicação à Doutrina Espírita, tornando-se um dos espíritas mais respeitáveis e dignos em nosso Estado e mesmo no Brasil.
Médico essencialmente homeopata honrou e dignificou a medicina hahnemaniana, tendo consagrado ao Espiritismo o melhor de sua
proveitosa existência.
Era na realidade autêntica fonte inesgotável destinada a suavizar as dores do corpo e minorar os sofrimentos da alma.
Em julho de 1936, quando se cogitou da fundação da Federação Espírita do Estado de S. Paulo, foi um dos elementos que mais
defendeu essa realização.
A reunião convocada para apreciar a redação final dos estatutos sociais e proceder à eleição da primeira diretoria foi por ele presidida, passando a figurar como um dos seus sócios fundadores e sido eleito vice-presidente da primeira diretoria constituída.
Durante muitos anos foi presidente da Associação Espírita São Pedro e São Paulo, uma das mais prestigiosas instituições espíritas de seu tempo, a qual posteriormente veio
se integrar na Federação.
GEAE -LIVROS: Grandes Vultos do Espiritismo -Augusto Militão Pacheco

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MEIMEI

Espírito altamente amoroso e culto, que se tem dedicado mais particularmente à assistência, à infância, manifesta-se, quase sempre, inundando o ambiente em suave e delicioso aroma de flores, mais particularmente rosas.
Seu nome, quando encarnada na terra, era Irma de Castro. Viveu de 22 de outubro de 1922 a 01 de outubro de 1946. Nasceu na cidade mineira de Mateus Leme e desencarnou em Belo Horizonte.
Manifestou precocemente acentuada inteligência, meiguice, modéstia e amor às letras. Era de beleza invulgar.
Tinha quatro irmãos: Ruth, Alaíde, Danilo e Carmem e ficou órfã de pai (Adolfo Castro) com apenas 5 anos. Sua mãe era D. Mariana de Castro.
Apesar de seu enorme amor aos estudos, por motivos de saúde, teve de abandonar o Curso Normal no segundo ano (Escola Normal de Itaúna).
Mais tarde, com sua irmã Alaíde, transferiu-se para Belo Horizonte para trabalhar e lá conheceu Arnaldo Rocha, com quem se casou aos 22 anos de idade. Apesar de muito querer um filhinho que lhe viesse abençoar o lar, isto não foi possível.
Tendo lido um romance, onde o personagem chinês tratava sua companheira pelo nome de Meimei (quer dizer "amor puro"), passou a tratar assim o marido e este também assim a tratava na intimidade.
O problema que muitas vezes antes se manifestara nos rins (nefrite) irrompeu com muita força, a ponto de lhe cegar uma das vistas e ela desencarnou, dois anos após o enlace.
O esposo, bastante abatido, procurou a Francisco Cândido Xavier, e este, que morava na cidade de Pedro Leopoldo, recebeu uma mensagem dela em que assinava Meimei, fato que todos ignoravam, já que este nome carinhoso só era do conhecimento do casal. Arnaldo tornou-se então um colaborador do Chico e fundou o Centro Espírita Meimei.
Muitos são os fatos narrados envolvendo a interferência amorosa de Meimei, que muitas vezes é vista pelos médiuns vestida de noiva, com a invulgar beleza, que lhe é peculiar.
Em 03/08/1977 Meimei psicografou pelo Chico 7 páginas apoiando a obra (ainda por editar) do espírito de Monteiro Lobato, recebida pela médium Marilusa, da qual carinhosamente se serviu para ditar o livro Retalho do Morro.
Dado seu carinho com a China, ainda dedicou a forma de ilustrar a obra - Retalho do Morro - com uso de sombras (arte milenar chinesa), e orientou quanto à utilização das figuras para avaliação do aprendizado das crianças.
Existem muitos livros ditados por Meimei através de Chico Xavier. Entre outros: Pai Nosso, Amizade, Palavras do Coração, Cartilha do Bem, Evangelho em Casa, Deus Aguarda e Mãe.

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Luiz Sérgio
de Carvalho - 17/11/1949 a 12/02/1973
Nasceu no Rio de Janeiro, Capital , em 17 de Novembro de 1949 , filho de Júlio de Carvalho e de Zilda Neves de Carvalho.
Passou três anos de sua infância em São Paulo, retornando ao Rio de Janeiro em 1957.
Aos onze anos de idade , transferiu-se com seus familiares para Brasília , onde fixaram residência. Seus estudos foram feitos em Colégios do Plano Piloto: Nossa Senhora do Rosário (Irmãs Dominicanas) , CASEB e Elefante Branco.
Cursava o oitavo semestre da Faculdade de Engenharia Eletrônica da Universidade de Brasília - UnB. Pertencia ao quadro de funcionários do Banco do Brasil S/A., lotado na Agência Central
de Brasília.
Alegre e extrovertido, sabia fazer amigos com rara facilidade,sem distinguir idade , cor ou sexo. Apreciava a leitura e a música. Tocava violão, preferindo músicas românticas da bossa-nova.
Companheiro inseparável de seu irmão , cursavam ambos as mesmas matérias na Faculdade, participavam das mesmas traquinagens de rapaz e eram lotados na mesma
seção de trabalho , em horários iguais. Era conhecido nos meios em que habitualmente
freqüentava pelo apelido de "Metralha" , por falar muito depressa. Andava muito ligeiro.
Físico atlético , sem ser muito alto, gostava de esportes e
torcia pelo Clube de regatas Flamengo - RJ .
Convidado por colegas de serviço a viajar a São Paulo em um fim-de-semana, para assistir à primeira corrida de carros "Formula 1", que seria realizada no Brasil , no autódromo de Interlagos ,
aceitou, com o objetivo de ajudar a dirigir na estrada e rever os parentes que conhecera,praticamente , no ano anterior , principalmente a priminha
Valquíria, com quem passara a corresponder-se. Seguiram os quatro no
Volkswagen.
Ao regressarem, Luiz Sérgio dormia ao lado de Roberto, que estava ao volante, quando, na ultrapassagem de um coletivo, um buraco na estrada provocou o rompimento de uma peça do carro, que se desgovernou, causando o acidente.
Roberto sofreu ferimentos que provocaram a sua invalidez. Isso aconteceu na madrugada de 12 de fevereiro de 1973, nas proximidades de
Cravinhos, Estado de São Paulo.
Os detalhes acima apresentados foram relatados pelos dois companheiros que viajavam no banco traseiro do veículo e nada sofreram.
Somente em seu 7º livro, "O Vôo Mais Alto" o
próprio Luiz Sergio descreve esse momento;
Sabe irmão Palário,
quando me recordei que você sempre foi meu amigo? No momento em que eu meditava
sobre a violência na Terra, relembrei o meu desencarne, o meu desespero, a
vontade de voltar ao corpo inerte, a indiferença deste, já enrijecido ali no
asfalto, insensível ao espírito, que pensava ainda poder maneja-lo. Pois
surpreso fiquei ao constatar que em vez de um, tinha dois corpos. Foi aí,
amigo, que você me deu apoio. A sua mão foi o sustentáculo que me colocou em
pé.
Quatro meses após sua morte, veio a primeira comunicação
através da mediunidade de Alayde de Assunção e Silva, residente em São
Bernardo do Campo - S.P.
Em outubro de 1972, Luiz Sergio, havia conhecido sua prima
de segundo grau Alayde, que juntamente com familiares, visitou seus pais em Brasília,
depois de longos anos sem contato. Alayde, espírita militante em SBC, possuía
o dom da mediunidade psicográfica, muito embora sobre esse particular quase
nada soubesse. Ainda na última viagem a São Paulo que fez, visitou os
parentes, sem contudo avistar-se com ela.
Após sua passagem, as duas famílias aproximaram-se mais,
o que talvez, tenha permitido a Luiz Sérgio o ensejo de perceber o vínculo
espiritual a que poderia ater-se para o fim que almejava, isto é, a
comunicação com a família que deixara.
Em sua primeira mensagem, seus pais tiveram a perfeita
sensação de sua presença e suas palavras ressoaram nítidas, como se ele ali
estivesse contando tudo. Outras mensagens vieram, completando a primeira,
trazendo a narração de sua vida no mundo que ele encontrou.
Seus pais começaram a comentar com amigos, das mensagens,
e surgiu a idéia de publica-las no suplemento espiritualista que acompanhava
aos domingos um jornal do Rio de Janeiro, de grande conceito e tiragem chamado
" Jornal dos Sports ".
Grande foi o interesse despertado, de tal modo que seus
pais resolveram juntar todas as comunicações em um só volume, para aumentar o
número dos que seriam, favorecidos pela oportunidade de penetrar nesse mundo
que ele descrevia. Nasceu assim O MUNDO QUE EU ENCONTREI, editado em 1976, e
NOVAS MENSAGENS editado em 1978.
A intenção de Luiz Sérgio, a princípio, era confortar
os pais, provando que ele vivia, dando notícias de sua chegada ao plano
extrafísico e narrando as diversas experiências por que estava passando. Mais
tarde, ao perceber que muitos mostravam interesse em suas mensagens, sentiu-se
encorajado a prosseguir em suas investigações, na esperança de ampliar o
círculo dos que, com ele, usufruiriam de seus resultados.
O interesse dos leitores pelos ditados de Luiz Sérgio, foi
muito evidente, animando seus pais, a despeito das dificuldades financeiras, a
editarem o terceiro livro em continuidade ao trabalho já iniciado.
Um fato novo veio alterar a estrutura desse livro, ou seja,
a introdução de mais um médium psicógrafo: Lucia Maria Secron Pinto,
residente no Rio de Janeiro.
Com isso, houve mudança no teor das mensagens, visto que
Alayde narra as experiências por que passa Luiz Sergio no mundo espiritual, com
vistas ao seu aperfeiçoamento, o que traz uma série de informações
importantes, intercaladas de conselhos proveitosos, enquanto Lúcia disserta
sobre temas gerais destinados às pessoas que estão aqui na Terra, ansiosas por
esclarecimentos e conforto relacionados às vicissitudes que a vida material se
lhes apresenta.
Este trabalho com o novo médium foi iniciado de maneira
bastante curiosa.
Em culto evangélico no lar, realizado semanalmente, na
casa de Lúcia, foram lidas algumas mensagens de Luiz Sérgio publicadas no
suplemento " O Mundo Azul " anexado ao " Jornal dos Sports "
todos os domingos.
Um dos participantes da reunião, a senhora Olinda Sobreira
Evangelista, interessou-se vivamente pelas mensagens e levou-as para serem lidas
por suas filhas, as jovens Márcia e Maria Eliza.
Quando soube da publicação do primeiro livro, Dª Olinda
entrou em contato com Dª Zilda Nunes de Carvalho, mãe de Luiz Sérgio e passou
a divulgar a obra junto a pessoas mais próximas.
Certo dia durante a realização do culto do lar, Lúcia
teve a intuição de orientar Dª Olinda para que iniciasse a mesma atividade em
sua própria casa.
Ao comentar com as filhas o ocorrido, Maria Eliza disse
desejar que o mentor da nova reunião fosse Luiz Sérgio.
Lucia, consultada sobre esta intenção, achou importante
que se falasse com Dª Zilda. Esta por sua vez, escreveu à médium Alayde
pedindo que consultasse o espírito de Luiz Sergio sobre a possibilidade de sua
atuação nesse sentido, já que tinha facilidade em comunicar-se com ele.
Ao final de algumas semanas, a resposta chegou. Luiz Sergio
afirmava ter recebido permissão para assumir o compromisso, apesar de sua
situação de espírito recém-desencarnado e ainda passando por intenso
processo de aprendizado.
Recomendou o espírito que estivesse presente, um médium
psicógrafo à primeira reunião. Para esta tarefa apresentou-se a própria
Lucia, sem imaginar, no entanto, que este seria o começo de um trabalho de
maior monta, que teria continuidade a partir dali.
As mensagens psicografadas por Alayde foram recebidas em
sua residência, em São Bernardo do Campo, e também em Pindamonhangaba, Cabo
Frio e Rio de Janeiro, quando em viagem a estas cidades.
Lucia, no Rio de Janeiro, psicografava na residência de
Dª Olinda, durante o culto no lar ou nas reuniões em que participava, no
Centro Espírita Amaral Ornellas.
Assim, em 1981 foi editado o livro INTERCÂMBIO
psicografado por Alayde e Lúcia.
Centro
Amaral Ornellas
R. Dr.
Leal 76 - Engenho de Dentro - R.J., fundado em 25/08/1923
Primeira mensagem
ditada na residência de Dª Olinda em 03 de
agosto de 1.978, psicografada por Lúcia.
Deus
abençoe a todos, indistintamente.
Ainda não conheço intimamente cada um dos presentes. Com o tempo, isso será
possível. Gostaria de dar uma palavrinha especial a cada um, mas não é
possível. Quero agradecer, em primeiro lugar, à Maria Eliza, que foi o ponto
de contato para minha afinização, com este lar. Que ela continue firme e
alerta, pois há muito a aprender e a realizar.
D.
Olinda, obrigado pela sua atenção e pelo carinho que tem tipo por mim e por
meus pais, principalmente auxiliando a divulgação de minhas mensagens.
Você
Márcia, vai longe, mas não tenha pressa. O material que você traz é de
primeira qualidade e merece ser manuseado com muito carinho.
Meu
cumprimento ao chefe da casa que, no momento não está presente, mas que um dia
será "um dos nossos".
Quero
que me recordem a meus pais. Sei como se sentem por não estarem aqui. Nada
acontece por acaso e eles devem ser pacientes e conformados. Estou vibrando o
pensamento para eles.
A
você Lúcia, também agradeço de coração e desejo que supere com coragem
seus problemas atuais, pois há muito trabalho pela frente que não pode
esperar.
Vamos
em frente!
Obrigado,
gente boa!
Obrigado,
meu Deus, por não me desamparares e me proporcionares mais uma grande alegria
nesta nova etapa de minha evolução.
saiba
mais http://www.luizsergio.vilabol.uol.com.br/

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Hernâni Guimarães Andrade
O Maior Pesquisador Espírita da Atualidade
por Eugénio Lara
Hernâni Guimarães Andrade é hoje uma unanimidade. Na área da Parapsicologia, Psicobiofísica, transcomunicação instrumental (TCI, comunicação com mentes extra-corpóreas através de aparelhos
eletrônicos), é provavelmente o autor mais citado no Brasil e exterior.
Mas nem sempre foi assim. Se hoje Hernâni goza de tanto prestígio, no início de sua
trajetória como pesquisador, parapsicólogo e escritor, amargou preconceitos, principalmente no movimento espírita. (nota : No dia 25 de Abril de 2003, regressou à pátria espiritual, o professor, pesquisador e cientista espírita,
)
A primeira vez que ouvi falar em Hernâni foi em uma matéria da revista Planeta, especializada em temas espiritualistas, onde aparece como pesquisador e parapsicólogo interessado em
fenômenos paranormais, um dos poucos que no Brasil já realizava uma pesquisa sistemática neste campo tão minado. Li essa reportagem no começo dos anos 80; coincidentemente, logo após travar contacto com a obra de Allan Kardec.
Soube de sua ligação com o Espiritismo através do filósofo espírita Herculano Pires, no livreto A Pedra e o Joio, onde o "Guarda
Noturno do Espiritismo" tenta destroçar, somente na base do discurso panfletário e pouco filosófico, a tese hernaniana da teoria corpuscular do Espírito, nome também de seu primeiro livro, hoje esgotado, e que poucos conhecem. O livreto foi uma resposta enérgica de Herculano ao amigo Hernâni, que realizou, segundo ele, uma tentativa de materializar, de corporificar o Espírito, algo completamente em desacordo com os princípios kardequianos.
Até tomar contacto com a sua Teoria Corpuscular, considerava Hernâni apenas como parapsicólogo, nunca como espírita. Sua coluna na Folha Espírita, Espiritismo e Ciência,
atualmente assinada por Karl Goldstein, um de seus pseudónimos, veio demonstrar que os princípios espíritas foram muito bem assimilados pelo engenheiro Hernâni. Seu livro inicial se constituiu num
projeto básico, projeto síntese de suas obras posteriores, hoje consagradas tanto no meio espírita como no ambiente dos parapsicólogos do mundo inteiro.
Todavia, o confronto unilateral de Herculano com Hernâni, que preferiu continuar trabalhando sem alarde e sem responder à altura, lhe causou uma certa marginalização no meio espírita. Quando aparecia na TV, era apresentado como parapsicólogo, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas (IBPP), mas nunca como espírita. No movimento espírita, sua obra foi por muitos anos ignorada, apenas conhecida e aceita por poucos estudiosos.
Sua coluna na Folha Espírita, suas pesquisas inéditas no campo da parapsicologia e seus livros mudaram radicalmente esse cenário, conduzindo-o a uma condição que nenhum outro pesquisador parapsicológico conseguiu conquistar, ao menos no Brasil.
Manteve contacto com o fundador da Parapsicologia, Joseph Banks Rhine e é hoje uma referência mundial na área da reencarnação, TCI e poltergeist. Foi o introdutor no País do estudo da
TCI. Atuou como consultor inclusive no meio acadêmico na assessoria a mestrandos com teses
acadêmicas e temáticas relacionadas à parapsicologia e ao Espiritismo.
Através de intercâmbio firmado entre a USP e o IBPP em 1997, Hernâni ajudou a formar a primeira turma de Pós-Graduação do Grupo de Pesquisas Psicobiofísicas da USP, em lato sensu, no campo da Integração Cérebro-Mente-Corpo-Espírito.
Criou o termo parapirogenia para designar os fenômenos de combustão espontânea. A exemplo de Ian Stevenson e do indiano Banerjee, pesquisou dezenas de casos que sugerem reencarnação. Lançado pela editora Pensamento, Reencarnação no Brasil tornou-se um clássico do
gênero.
Desenvolveu a teoria do MOB, modelo organizador biológico, uma das teses mais articuladas e fundamentadas que surgiu no movimento espírita, um desdobramento do conceito de perispírito (envoltório do Espírito) elaborada por Allan Kardec no século XIX.
Tive a oportunidade de passar uma tarde com ele ao lado de outros companheiros espíritas, na sede do IBPP, quando ainda morava na Capital. Um lorde inglês reencarnado: elegante, modesto e bem-humorado. Quem o imagina sisudo, sério e de avental branco toma um choque. Um homem simples que nunca se preocupou em responder aos seus
detratores. Passamos a tarde comendo bombons, conversando sobre TCI, reencarnação, ectoplasma gasoso e a sensitiva russa Bárbara Ivanova, que estava em tournée pelo Brasil. "Um docinho de coco", assim a definiu.
Quando vejo alguns "intelectuais" espíritas cheios de pose e de prosopopéias lembro imediatamente desse homem, que trabalhando incessantemente, no silêncio de suas
idéias e estudos, mudou o contexto das pesquisas no campo da Psicobiofísica.
Hernâni não poderia ficar de fora de qualquer listagem na eleição de grandes espíritas e pesquisadores do século. Sua contribuição inestimável para o progresso do Espiritismo e da cultura lhe conferem
tranqüilamente a condição de o maior pesquisador espírita da atualidade.
Principais obras
• Teoria Corpuscular do Espírito
• Parapsicologia Experimental
• Psi Quântico
• Morte, Renascimento, Evolução
• Espírito, Perispírito e Alma
• Reencarnação no Brasil
• Transcomunicação Instrumental
• A Morte - Uma Luz no Fim do Túnel

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José Herculano Pires
Nasceu em 25 de Setembro de 1915, na antiga província de Avaré, Zona Sorocabana,
filho do farmacêutico José Pires Correa e da pianista Bonina Amaral Simonetti Pires. Fez seus primeiros estudos em Avaré, Itaí e Cerqueira César.
Revelou a sua vocação literária desde que começou a escrever.
Aos 16 anos, estreou na literatura com um livro de contos - “Sonhos Azuis”, tendo o segundo, de poemas livres e sonetos, intitulado “Coração”, sido publicado dois anos após.
Vários contos seus, com ilustrações, foram publicados na “Revista Artística do Interior”.
Integrou a relação de colaboradores permanentes da secção literária de “A Razão”, em São Paulo, que publicava um poema de sua autoria dominicalmente.
Em 1928, transformou o jornal político do genitor em semanário literário.
Em 1940, mudou-se para Marília, onde adquiriu o jornal “Diário Paulista” e dirigiu-o durante seis anos.
Com alguns companheiros, promoveu, através do jornal, um movimento literário na cidade, tendo publicado o livro de poemas “Estradas e Ruas” que Érico Veríssimo e Sérgio Millet comentaram favoravelmente.
Em 1946, mudou-se para São Paulo e lançou seu primeiro romance, “O Caminho do Meio”, que foi bem acolhido pela crítica.
Durante cerca de trinta anos, exerceu as funções de repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e crítico literário dos “Diários Associados”.
Entre ensaios e livros de Filosofia, História, Psicologia, Parapsicologia e Espiritismo, alguns de parceria com Chico Xavier, totalizou uma produção de oitenta títulos.
Foi um dos autores mais críticos do movimento espírita, combatendo os desvios e mistificações, na compreensão doutrinária racionalista preconizada por Allan Kardec.
Graduado em Filosofia pela USP, editou uma tese existencial: “O Ser e a Serenidade”.
Desencarnou a 09 de Março de 1979, em São Paulo.

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Francisco Cândido Xavier
02/04/1910
a 30/06/2002
O maior e mais prolífico médium psicógrafo do mundo em todas as épocas nasceu em Pedro Leopoldo, modesta cidade de Minas Gerais, Brasil, em 2 de abril de 1910. Vive, desde 1959, em Uberaba, no mesmo Estado. Completou o curso primário, apenas. Pais: João Cândido Xavier e Maria João de Deus, desencarnados em 1960 e 1915, respectivamente.
Infância difícil; foi caixeiro de armazém e modesto funcionário público, aposentado desde 1958. Em 7 de maio de 1927 participa de sua primeira reunião espírita. Até 1931 recebe muitas poesias e mensagens, várias das quais saíram a público, estampadas à revelia do médium em jornais e revistas, como de autoria de F. Xavier.
Nesse mesmo ano, vê, pela primeira vez, o Espírito Emmanuel, seu inseparável mentor espiritual até hoje.
Desde os 4 anos de idade o menino Chico teve a sua vida assinalada por singulares manifestações. Seu pai chegou, inclusive, a crer que o seu verdadeiro filho havia sido trocado por outro... Aquele seu filho era estranho!...
De formação católica, o garoto orava com extrema devoção, conforme lhe ensinara D. Maria João de Deus, a querida mãezinha, que o deixaria órfão aos 5 anos.
Dentro de grandes conflitos e extremas dificuldades, o menino ia crescendo, sempre puro e sempre bom, incapaz de uma palavra obscena, de um gesto de desobediência.
As "sombras" amigas, porém, não o deixavam... Conversava com a mãezinha desencarnada, ouvia vozes confortadoras. Na escola, sentia a presença delas, auxiliando-o nas tarefas habituais. O certo é que os seus primeiros anos o marcaram profundamente; ele nunca os esqueceu... A necessidade de trabalhar desde cedo para auxiliar nas despesas domésticas foi em sua vida, conforme ele mesmo o diz, uma bênção indefinível.
Sim, a doença também viera precocemente fazer-lhe companhia. Primeiro os pulmões, quando trabalhava na tecelagem; depois os olhos; agora é a angina.
Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) iniciou, publicamente, seu mandato mediúnico em 8 de julho de 1927, em Pedro Leopoldo.
Contando 17 anos de idade, recebeu as primeiras páginas mediúnicas. Em noite memorável, os Espíritos deram início a um dos trabalhos mais belos de toda a história da humanidade. Dezessete folhas de papel foram preenchidas, celeremente, versando sobre os deveres do espírita-cristão.
Depoimento de Chico Xavier: (...) "Era uma noite quase gelada e os companheiros que se acomodavam junto à mesa me seguiram os movimentos do braço, curiosos e comovidos. A sala não era grande, mas, no começo da primeira transmissão de um comunicado do mais Além, por meu intermédio, senti-me fora de meu próprio corpo físico, embora junto dele. No entanto, ao passo que o mensageiro escrevia as dezessete páginas que nos dedicou, minha visão habitual experimentou significativa alteração. As paredes que nos limitavam o espaço desapareceram. O telhado como que se desfez e, fixando o olhar no alto, podia ver estrelas que tremeluziam no escuro da noite. Entretanto, relanceando o olhar no ambiente, notei que toda uma assembléia de entidades amigas me fitavam com simpatia e bondade, em cuja expressão adivinhava, por telepatia espontânea, que me encorajavam em silêncio para o trabalho a ser realizado, sobretudo, animando-me para que nada receasse quanto ao caminho a percorrer."
Emmanuel, nos primórdios da mediunidade de Chico Xavier, deu-lhe duas orientações básicas para o trabalho que deveria desempenhar. Fora de qualquer uma delas, tudo seria malogrado. Eis a primeira.
- "Está você realmente disposto a trabalhar na mediunidade com Jesus?"
- Sim, se os bons espíritos não me abandonarem... -respondeu o médium.
- Não será você desamparado - disse-lhe Emmanuel - mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e se esforce no bem.
- E o senhor acha que eu estou em condições de aceitar o compromisso? - tornou o Chico.
- Perfeitamente, desde que você procure respeitar os três pontos básicos para o Serviço... Porque o protetor se calasse o rapaz perguntou:
- Qual é o primeiro? A resposta veio firme:
- Disciplina.
- E o segundo?
- Disciplina.
- E o terceiro?
- Disciplina.
" A segunda mais importante orientação de Emmanuel para o médium é assim relembrada: -
"Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e, disse mais, que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo".
Em 1932 publica a FEB seu primeiro livro, o famoso "Parnaso de Além-Túmulo"; hoje as obras que psicografou vão a mais de 400. Várias delas estão traduzidas e publicadas em castelhano, esperanto, francês, inglês, japonês, grego, etc.
De moral ilibada, realmente humilde e simples, Chico Xavier jamais auferiu vantagens, de qualquer espécie, da mediunidade. Sua vida privada e pública tem sido objeto de toda especulação possível, na informação falada, escrita e televisionada. Ápodos e críticas ferinas, têm-no colhido de miúdo, sabendo suportá-los com verdadeiro espírito cristão.
Viajou com o médium Waldo Vieira aos Estados Unidos e à Europa, onde visitaram a Inglaterra, a França, a Itália, a Espanha e Portugal, sempre a serviço da Doutrina Espírita.
Chico Xavier é hoje uma figura de projeção nacional e internacional, suas entrevistas despertam a atenção de milhares de pessoas, mesmo alheias ao Espiritismo;
aparecendo em programas de TV, respondendo a perguntas as mais diversas, orientando as respostas pelos postulados espíritas.
Já recebeu o título de Cidadão Honorário de várias cidades: Rio Preto, São Bernardo do Campo, Franca, Campinas, Santos, Catanduva, em São Paulo; Uberlândia, Araguari e Belo Horizonte, em Minas Gerais; Campos, no Estado do Rio de Janeiro, etc., etc.
Dos livros que psicografou já se venderam mais de 12 milhões de exemplares, só dos editados pela FEB, em número de 88. "Parnaso de Além-Túmulo", a primeira obra publicada em 1932, provocou (e comprovou) a questão da identificação das produções mediúnicas, pelo pronunciamento espontâneo dos críticos, tais como Humberto de Campos, ainda vivo na época, Agripino Grieco, severo crítico literário, de renome nacional, Zeferino Brasil, poeta gaúcho, Edmundo Lys, cronista, Garcia Júnior, etc. Prefaciando "Parnaso de Além-Túmulo", escreveu Manuel Quintão: "Romantismo, Condoreirismo, Parnasianismo, Simbolismo, aí se ostentam em louçanias de sons e de cores, para afirmar não mais subjetiva, mas objetivamente, a sobrevivência de seus intérpretes.
É ler Casimiro e reviver 'Primaveras'; é recitar Castro Alves e sentir 'Espumas Flutuantes'; é declamar Junqueiro e lembrar a 'Morte de D. João'; é frasear Augusto dos Anjos e evocar 'Eu'." Romances históricos formam a série Romana, de Emmanuel, composta de: "Há 2000 Anos...", "50 Anos Depois", "Ave, Cristo!", "Paulo e Estevão", provocando a elaboração do "Vocabulário Histórico-Geográfico dos Romances de Emmanuel", de Roberto Macedo, estudo elucidativo dos eventos históricos citados nas obras. "Há 2000 Anos..." é o relato da encarnação de Emmanuel à época de Jesus. De Humberto de Campos (Espírito), aparece, em 1938, o profético e discutido "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", uma história de nossa pátria e dos fatos
a ela ligados, em dimensão espiritual.
A série André Luiz é reveladora, doutrinária e científica; com obras notáveis e a maioria completa, no tocante à vida depois da desencarnação, obras anteriores, de Swedenborg, A. Jackson Davis, Cahagnet, G. Vale Owen e outros.
Pertencem a essa série: "Nosso Lar", "Os Mensageiros", "Missionários da Luz", "Obreiros da Vida Eterna", "No Mundo Maior", "Agenda Cristã", "Libertação", "Entre a Terra e o Céu", "Nos Domínios da Mediunidade", "Ação e Reação", "Evolução em dois Mundos", "Mecanismos da Mediunidade", "Conduta Espírita", "Sexo e Destino", "Desobsessão", "E a Vida Continua...". De parceria com o médium Waldo Vieira, Chico Xavier psicografou 17 obras.
A extraordinária capacidade mediúnica de Chico Xavier está comprovada pela grande quantidade de autores espirituais, da mais elevada categoria, que por seu intermédio se manifestam. Vários de seus livros foram adaptados para encenação no palco e sob a forma de radionovelas e telenovelas. O dom mediúnico mais conhecido de Francisco Xavier é o psicográfico. Não é, todavia, o único.
Teve ele, e as exercitou constantemente, outras mediunidades, tais como: psicofonia, vidência, audiência, receitista, e outras.
Sua vida, verdadeiramente apostolar, dedicou-a, o médium, aos sofredores e necessitados, provindos de longínquos lugares, e também aos afazeres medianeiros, pelos quais não aceita, em absoluto, qualquer espécie de paga.
Os direitos autorais ele os tem cedido graciosamente a várias Editoras e Casas Espíritas, desde o primeiro livro.
Sua vida e sua obra têm sido objeto de numerosas entrevistas radiofônicas e televisadas, e de comentários em jornais e revistas, espíritas ou não, e em livros dos quais podemos citar: o opúsculo intitulado "Pinga-Fogo, Entrevistas", obra publicada pelo Instituto de Difusão Espírita, de Araras; "Trinta Anos com Chico Xavier", de Clóvis Tavares; "No Mundo de Chico Xavier", de Elias Barbosa; "Lindos Casos de Chico Xavier", de Ramiro Gama; "40 Anos no Mundo da Mediunidade", de Roque Jacinto; "A Psicografia ante os Tribunais", de Miguel Timponi; "Amor e Sabedoria de Emmanuel", de Clóvis Tavares; "Presença de Chico Xavier", de Elias Barbosa; "Chico Xavier Pede Licença", de Irmão Saulo, pseudônimo de Herculano Pires; "Nosso Amigo Xavier", de Luciano Napoleão; "Chico Xavier, o Santo dos Nossos Dias" e "O Prisioneiro de Cristo", de R. A. Ranieri; “Chico Xavier - Mandato de Amor”, da U.E.M.; “As Vidas de Chico Xavier”, de Marcel Souto Maior, etc.

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Dr. Artur Lins de Vasconcelos Lopes

Nascido a 27 de março de 1891 na cidade de Teixeira, Estado da Paraíba, e desencarnado em São Paulo,no dia 21 de março de 1952. Seu sepultamento ocorreu na cidade de Curitiba, capital do Estado do Paraná.
O Dr. Artur Lins de Vasconcelos Lopes foi expressiva figura do Espiritismo brasileiro.
Teve uma infância pobre no sertão nordestino. Franco e combativo, jovial e sereno, sincero e leal, bom e caridoso, fazia dessas virtudes uma coisa rotineira em sua vida de relação, sem jamais ostentá-la no convívio com seus companheiros de
ideal.
Com
25 anos incompletos Lins é eleito presidente da Federação Espírita do Paraná,
entidade da qual foi secretário-geral por cinco vezes e presidente por seis
mandatos, num período de dezoito anos.
Integrou
a Federação Espírita do Paraná à Liga Brasileira Contra o Analfabetismo em
1916; propôs a criação de cursos especiais de médiuns em 1914; teve notável
atuação no campo da assistência social.
Foi presidente da "Coligação Nacional Pró- Estado Leigo", instituição republicana fundada em 17 de maio de 1931, a qual desenvolveu ingente trabalho em favor da separação entre a Igreja e o Estado, principalmente por ocasião dos trabalhos constituintes que culminaram com a promulgação da nova Constituição Brasileira, no ano de 1946, tendo enviado numerosas ações cívicas de grande profundidade nos anos subseqüentes.
O esforço de Lins de Vasconcelos em favor do congraçamento dos espíritas do Brasil foi dos mais salientes, contribuindo de forma decisiva para o advento do Pacto Áureo de unificação dos espíritas do Brasil, no dia 5 de outubro de 1949. A ele se deve apreciável parcela dos trabalhos encetados nos anos de 1947 a 1952, em favor de um maior entrelaçamento entre os espíritas em nosso país.
Destacou-se,
também, como jornalista espírita, atividade que culminou com a compra do
jornal "Mundo Espírita", fundado por Henrique Andrade. Lins
transferiu este jornal e suas oficinas para Curitiba como órgão oficial da FEP.
Deste jornal, extraímos os seguintes dados biográficos desse grande vulto do Espiritismo brasileiro:
"A batalha travada por Lins de Vasconcelos foi ingente, árdua e heróica.
Nascido numa região áspera, princípio geográfico da caatinga, entre Paraíba e Pernambuco, era natural que Artur Lins trouxesse no Espírito a agressividade do berço agreste. Lutando, todavia, contra o meio, aprimorando qualidades, resistindo aos meios desonestos de ganho, foi abrindo um caminho limpo para a vida. Ainda na adolescência, Lins deixou a Paraíba para residir no Rio de Janeiro. Na antiga Capital Federal a demora foi curta.
Imaturo, com aquela ânsia de aventuras próprias da idade, e também ávido de conhecimento, Lins partiu para o sul do país, fixando- se em Curitiba. Constituiu família; formou- se em agronomia; fez concurso para cartorário. Sua vida seguiu firme. Tornou- se espírita, integrando- se totalmente na doutrina. Em 1926 houve grave incidente entre o governo do Estado e elementos liberais, por questões religiosas. É que o governo estadual, sem autorização da Assembléia, presenteara terrenos e dinheiro do patrimônio público ao clero. Pequeno número de cidadãos protestou contra o ato indébito do governo. Entre eles estava Lins de Vasconcelos. Este defendeu, de forma corajosa, perante o governo, que os princípios tutelares da democracia são inderrogáveis ainda ao arbítrio dos governadores. Aquela posição destemida de Lins na questão dos bispados acarretou- lhe demissão do cargo. Vencera o fanatismo religioso; sobrepunha- se a intolerância ao direito intangível de um democrata. E sobrava razão a Lins: o governo não podia dar ao clero, de mão beijada, terrenos e dinheiro do Estado.
Uma vez demitido, Lins não se deixou abater pela sanha intolerante. Colocou suas energias na indústria. Venceu. Tornou- se milionário. Mas o dinheiro que amealhava facilmente como ele próprio dizia -- era um depósito que lhe fazia Deus para o distribuir aos pobres, através do Espiritismo. Fez- se banqueiro dos desafortunados!
Era simples e sem vaidades. O que mais se admirava em Artur era o triunfo do seu Espírito sobre uma das mais terríveis provas a que uma criatura pode submeter- se: a riqueza! Rico, mais do que rico, opulento, Lins de Vasconcelos venceu galhardamente o fascínio do ouro, esmagou o poderio que a fortuna traz, afogou no nascedouro os gozos efêmeros que o dinheiro carreia. A moeda que lhe vinha dos negócios era destinada às creches, a orfanatos, a albergues, a sanatórios, a escolas, a revistas e a jornais doutrinários.
Há lindos lances, de puro Cristianismo, na vida de Artur Lins de Vasconcelos, mas relatá-los seria, por certo ferir a humildade do nosso querido irmão desencarnado. Basta chamar- lhe:
Banqueiro dos Pobres! É um título magnificente que milhões e milhões de desencarnados gostariam de possuir. Arthur Lins de Vasconcelos obteve esse título em vida, abençoado por milhares de bocas!
Lins de Vasconcelos não se empolgou com seus sucessos mundanos. Fez, isso sim, da riqueza material, instrumento para a realização do Bem. Foi bom, vestindo os desnudos, dando de comer aos esfomeados, instrução e educação aos que dessa assistência precisavam.
Lins
aplicou boa parte de sua fortuna no movimento espírita. Deixou obras em inúmeras
cidades brasileiras, financiou eventos (como o I Congresso de Mocidades Espíritas,
em 1948, no Rio de Janeiro). O patrimônio da FEP, por exemplo, deve-se a Lins
que em seu testamento legou a metade da meação do seu patrimônio . O Colégio
Lins de Vasconcelos, legado de Lins foi recentemente vendido pela diretoria da
FEP, sob a alegação de prejuízos financeiros. No testamento de Lins foram
agraciadas com quantias em dinheiro todas as entidades federativas regionais
existentes, inclusive a Liga Espírita do Brasil.
Tendo desencarnado em S. Paulo, em 21 de março de 1952, seu corpo foi para Curitiba--cidade que tanto amou -- e em cujo solo desejava que sua matéria repousasse no dia que o Pai o chamasse. Seu pedido foi satisfeito. Assim, no Jardim em frente ao Pavilhão Administrativo do Sanatório Bom Retiro, no bairro do Pilarzinho, em Curitiba, encimado por uma pedra simples, mas que revela bom gosto, na qual há uma placa de bronze com expressiva inscrição, foi inumado o corpo do querido companheiro de ideal espírita, aquele que tantas lutas sustentou ante a incompreensão dos homens, para que a Doutrina dos Espíritos demonstrasse ser capaz de transformar as criaturas desajustadas em seres com capacidade para amar o próximo, assim como Jesus nos amou.
A Federação Espírita do Paraná, que tantos benefícios recebeu de Lins de Vasconcelos, prestou- lhe ultimamente significativa homenagem, dando seu respeitável e inesquecível nome ao educandário que naquele bairro mantém, no momento, funcionando com o curso ginasial, o Instituto "Lins de Vasconcelos".

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Franz Anton Mesmer
(1734 - 1815)
Mesmer foi o médico austríaco criador da teoria do magnetismo animal conhecido
pelo nome de mesmerismo. Nasceu a 23 de maio em Iznang, uma pequena vila perto
do Lago Constance. Estudou teologia em Ingolstadt e formou-se em medicina na
Universidade de Viena. Provido de recursos, dedicou-se a longos estudos
científicos, chegando a dominar os conhecimentos de seu tempo, época de
acentuado orgulho intelectual e ceticismo. Era um trabalhador incansável, calmo,
paciente e ainda um exímio músico.
Em 1775, após muitas experiências, Mesmer
reconhece que pode curar mediante a aplicação de suas mãos. Acredita que dela
desprende um fluido que alcança o doente; declara: "De todos os corpos da
Natureza, é o próprio homem que com maior eficácia atua sobre o homem". A doença
seria apenas uma desarmonia no equilíbrio da criatura, opina ele. Mesmer, que
nada cobrava pelos tratamentos, preferia cuidar de distúrbios ligados ao sistema
nervoso. Além da imposição das mãos sobre os doentes, para estender o benefício
a maior número de pessoas, magnetizava água, pratos, cama, etc., cujo contato
submetia os enfermos.
Mesmer praticou durante anos o seu método de
tratamento em Viena e em Paris, com evidente êxito, mas acabou expulso de ambas
as cidades pela inveja e incompreensão de muitos. Depois de cinco tentativas
para conseguir exame judicioso do seu método de curar, pelas academias, é que
publica, em 1779, a "Dissertação sobre a descoberta do magnetismo animal", na
qual afirma que este é uma ciência com princípios e regras, embora ainda pouco
conhecida. A sua popularidade prosseguiu por muitos anos, mas outros médicos o
taxavam de impostor e charlatão. Em 1784, o governo francês nomeou uma comissão
de médicos e cientistas para investigar suas atividades. Benjamin Franklin foi
um dos membros dessa comissão, que acabou por constatar a veracidade das curas,
porém as atribuíram não ao magnetismo animal, mas a outras causas fisiológicas
desconhecidas.
Concentrado no alívio à dor, Mesmer não chegou a
perceber a existência do sonambulismo artificial, que seu ilustre e generoso
discípulo, conde Maxime Puységur, descobre (inclusive a clarividência a ele
associada), o qual se desenvolve durante o transe magnéticos em certas pessoas.
Em 1792, Mesmer vê-se forçado a retirar-se de
Paris, vilipendiado, e instala-se em pequena cidade suiça, onde vive durante 20
anos sempre servindo aos necessitados e sem nunca desanimar nem se queixar. Em
1812, já aos 78 anos, a Academia de Ciências de Berlim convida-o para prestar
esclarecimentos, pois pretendia investigar a fundo o magnetismo. Era tarde; ele
recusa o convite. A Academia encarrega o Prof. Wolfart de entrevistá-lo. O
depoimento desse professor é um dos mais belos a respeito do caridoso médico:
"Encontrei-o dedicando-se ao hospital por ele
mesmo escolhido. Acrescente-se a isso um tesouro de conhecimentos reais em todos
os ramos da Ciência, tais como dificilmente acumula um sábio, uma bondade imensa
de coração que se revela em todo o seu ser, em suas palavras e ações, e uma
força maravilhosa de sugestão sobre os enfermos."
No início de 1814, ele regressou para Iznang, sua
terra natal, onde permaneceria os seus últimos dias até falecer em 05/03/1815.
Assim foi Mesmer. Durante anos semeou a cura de
enfermos doando de seu próprio fluido vital em atitude digna daqueles que
sacrificam-se por amor ao seu trabalho e a seus irmãos. Suas teorias
atravessaram décadas e seu exemplo figura luminoso entre os missionários que sob
o açoite das críticas descabidas e as agressões da calúnia, passam incólume
escudado pelo dever retamente desempenhado. Seu nome jamais se desligar do
vocábulo "fluido" e sua vida valiosa pelos frutos que gerou, jamais ser
esquecida por aqueles cuja honestidade de propósitos for o ornamento de seus
espíritos. A sua obra foi decisiva para demonstrar a realidade da imposição das
mãos como meio de alívio aos sofrimentos, tal como a utilizavam os primeiros
cristãos antigamente e os espíritas atualmente.

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A Homeopatia e seu Fundador
Cristiano Frederico Samuel Hahnemann
nasceu em Meissen, Saxónia, em 11 de Abril de 1755. Desencarnou em Paris, em
1843. Formou-se em medicina na Universidade de Erlanger. Frequentou as
Universidades de Leipzig e Viena.
Possuía conhecimentos profundos de Ciências Físicas e
Naturais além da Medicina. José Bonifácio correspondia-se com Hahnemann.
Conhecia também línguas vivas e mortas – latim, grego, hebraico, alemão, inglês,
francês, espanhol, italiano, sírio e árabe. Era, portanto, de conhecimento
invulgar, não aceitando a medicina de sua época.
Abandona a profissão médica e dedica-se à tradução de obras científicas. Nesse
período passa por grandes privações. Ao traduzir Matéria Médica, de Cuien, no
que se refere ao tratamento da febre intermitente pela quina, discorda e resolve
aplicar a droga em si mesmo. Conclui que doses elevadas da quina podiam provocar
febre intermitente no homem são, e pequenas doses curam o homem doente. Surgiu
então a nova doutrina terapêutica – a Homeopatia. Revive a Lei dos Semelhantes,
pregada por Hipócrates, 400 anos antes de Cristo. Estávamos em 1796.
Foi o primeiro que teve a ideia de experimentar num indivíduo saudável as
substâncias consideradas medicamentosas. Experimentou-as, durante quinze anos,
em si próprio e em amigos.
Admite um princípio vital que sustém e harmoniza as funções de todo ser vivo.
No seu livro Organom, afirma que o corpo material deve ao ser imaterial que o
anima, tanto no estado de saúde como no de doença, todas as suas sensações, que
o Espiritismo explica como sendo o perispírito.
Os médicos alopatas, que eram seus contemporâneos, não o aceitaram,
polemizaram-no e, inclusive, perseguiram-no.
Hahnemann tinha fé em Deus, uma fé profunda e verdadeira.
No seu trabalho, recomenda a aplicação de magnetismo como recurso terapêutico.
No mundo espiritual, esteve presente na obra da codificação, através de
mensagens psicografadas, inclusive no Evangelho segundo o Espiritismo.
Em terras brasileiras, narra-nos Humberto de Campos, a homeopatia chegou em
1840, por intermédio dos médicos Bento Mure e Vicente Martins. Esses médicos
eram espíritas de grande envergadura, pois fizeram da medicina verdadeiro
apostolado, “conheciam ambos os transes mediúnicos e o elevado alcance da
aplicação do magnetismo espiritual. Introduziram vários serviços de
beneficência... indescritível foi o devotamento de ambos à colectividade
brasileira...”
Conforme explica o Dr. Lauro S. Thiago, “a acção dos medicamentos homeopáticos
não é de natureza material, química, mas sim de ordem dinâmica, verdadeiramente
imaterial; ela decorre não da massa ou das propriedades químicas da substância
medicamentosa, mas de um dinamismo próprio de algo que, no seu âmago, se
encontra com a sua potencialidade de acção como que reprimida e oculta,
precisando, para manifestar-se livremente e em toda a sua plenitude de força,
que a substância natural que lhe serve de base à preparação seja submetida a um
processo especial de desmaterialização”.
Assim vemos que a homeopatia age fundamentalmente sobre o perispírito. Tal a
razão de afirmar-se: “mente sã, corpo são”.
Texto extraído da Agenda Espírita 2000 - Ed. Espírita Caminho da Luz
Boletim Informativo - C.E.I.J

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